Poder paralelo
Tal atividade criminosa consistia no seguinte: escritores de laboratório fabricavam, clandestinamente, fragmentos, trechos e até páginas inteiras de material literário, repassando a muamba para os traficantes venderem no mercado editorial. A rede do tráfico era formada por profissionais da ficção desempregados e até por autores respeitáveis, além de ex-escritores.
O material era vendido a editores de péssima reputação e escritores de best-sellers, inclusive esotéricos de qualidade duvidosa. Segundo a imprensa marrom, até mesmo alguns intelectuais conceituados faziam uso da mercadoria de primeira qualidade fornecida por Because e sua gang.
O comércio ilegal de trechos de livros ia bem, com a devida propina paga às autoridades livreiras, até o dia em que os personagens de um romance regionalista morreram de overdose, provocada pelo excesso de detalhes contidos em mais de cem páginas sobre o drama meloso de um jovem rico com uma prostituta francesa.

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