A pantera
O ex-contista, agora ensaísta, Antônio Scliar, ficou conhecendo a poeta Botukú Buto, uma negra esguia e sedutora. “Pantera Negra”, apelidou-a de cara o ex-contista, numa alusão óbvia à personagem felina de uma das estórias em quadrinhos do grafiteiro Magrelo Mouse.
Depois de um prolongado debate sobre o sexo na poesia etrusca, Scliar e Buto foram para a cama. Após a noite de amor, os dois não foram mais vistos no Congresso, tendo ambos desaparecido misteriosamente.
Estão trepando há dois dias seguidos,sentenciou o novelista Sérgio Simulacros.
Haja energia, admirou o cronista míope Querêncio Borba.
Estou achando tudo isso muito estranho, desconfiou Mário Maltês, escritor de romances policiais.
Resolveram então investigar, começando pelo quarto de Scliar e, para o horror de todos, descobriram o corpo do ex-contista e agora ensaísta pendurado no armário, já em processo de degeneração. O pescoço dele estava destroçado, como se tivesse sido atacado por algum tipo de felino de grande porte.
“Pantera Negra!” Gritaram todos, ao mesmo tempo.

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