Sensualidade
Os olhos negros, enormes, uns cílios imensos e olheiras falsas de ressaca. Pescoço comprido, quilométrico mesmo, chamando a atenção de excitadas bocas alheias. Um perfume estranho, longínquo. Artificial.
Aliás, ela era toda artificial. Os braços finos. As pernas grossas, mais grossas do que poderiam imaginar os investigadores de corpos. Tudo nela era paradoxal. Belo, mas, incoerentemente, desumano.
O andar silencioso. Esqueleto maleável. O vestido lembrava um modelo europeu daqueles desfiles da Globosat. Algo nela lembrava a Naomi Campbell. Talvez a boca...Os quadris cindycrawfordianos.
Ela quase não falava. Apenas monossílabos. Vagos. Mas tudo nela era terrivelmente sensual. Um suplício de mulher perfeita.
E inatingível, diria o míope Querêncio Borba. “
( Depoimento do grafiteiro Magrelo Mouse, viajando no retrato falado de Helga Coolgate feito por Baltimore Batista, ladrão de personagens )

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