Brutalidade Jardim

Blog de literatura, prosas urbanas, poéticas visuais e literatices

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Location: João Monlevade / Brasília, Minas / Distrito Federal, Brazil

Nascido em João Monlevade, no Vale do Aço, Minas Gerais / Brasil. É jornalista. Reside em Brasília/DF desde 2007. Poeta independente abandonou a literatura impressa para mergulhar no abismo virtual. Tem trabalhos literários premiados no Brasil e muitos outros publicados em vários países, especialmente de arte postal. Seguir o meu twitter @ geraldomagela59 Born in João Monlevade, in the Steel Valley, Minas Gerais / Brazil. He is a journalist, living in Brasília / DF since 2007. Independent poet abandoned printed literature to immerse himself in the virtual abyss. It has literary works in Brazil and many others published in several countries, especially in publications of postall art.

Friday, July 21, 2006

O parceiro

Geraldo Magela


Teve um dia em que eu me peguei conversando com o revólver.
- Você vai me ajudar num lance aí, eu disse.
A arma ficou me olhando, segura na minha mão, silenciosa, brilhando de tão negra.
Eu continuei.
- Preciso de você para arrecadar uma grana que está me fazendo falta.
E a arma continuava calada. Quem cala consente, né?
Peguei o revólver e fui direto fazer um trabalhinho. Quando voltei, lá pelas tantas da madrugada, tinha um bom dinheiro no bolso. Tirei a arma de dentro da calça larga.
- Aquele velho não devia ter reagido. Era só me passar o dinheiro e mais nada.
E o revólver quieto.
- Foi dar uma de herói, se fudeu...
Fui dormir. Acordei lá pelo meio dia e saí, com o revólver escondido dentro da calça. Quando cheguei no meio de uma ponte deserta joguei a arma no rio poluído, depois de limpar o cabo com a camisa, cuidadosamente.
- Os ácidos vão se encarregar do seu fim, eu pensei.
Os parceiros mais calados são os piores. Podem nos entregar a qualquer momento.

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