O parceiro
Teve um dia em que eu me peguei conversando com o revólver.
- Você vai me ajudar num lance aí, eu disse.
A arma ficou me olhando, segura na minha mão, silenciosa, brilhando de tão negra.
Eu continuei.
- Preciso de você para arrecadar uma grana que está me fazendo falta.
E a arma continuava calada. Quem cala consente, né?
Peguei o revólver e fui direto fazer um trabalhinho. Quando voltei, lá pelas tantas da madrugada, tinha um bom dinheiro no bolso. Tirei a arma de dentro da calça larga.
- Aquele velho não devia ter reagido. Era só me passar o dinheiro e mais nada.
E o revólver quieto.
- Foi dar uma de herói, se fudeu...
Fui dormir. Acordei lá pelo meio dia e saí, com o revólver escondido dentro da calça. Quando cheguei no meio de uma ponte deserta joguei a arma no rio poluído, depois de limpar o cabo com a camisa, cuidadosamente.
- Os ácidos vão se encarregar do seu fim, eu pensei.
Os parceiros mais calados são os piores. Podem nos entregar a qualquer momento.

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