Brutalidade Jardim

Blog de literatura, prosas urbanas, poéticas visuais e literatices

Name:
Location: João Monlevade / Brasília, Minas / Distrito Federal, Brazil

Nascido em João Monlevade, no Vale do Aço, Minas Gerais / Brasil. É jornalista. Reside em Brasília/DF desde 2007. Poeta independente abandonou a literatura impressa para mergulhar no abismo virtual. Tem trabalhos literários premiados no Brasil e muitos outros publicados em vários países, especialmente de arte postal. Seguir o meu twitter @ geraldomagela59 Born in João Monlevade, in the Steel Valley, Minas Gerais / Brazil. He is a journalist, living in Brasília / DF since 2007. Independent poet abandoned printed literature to immerse himself in the virtual abyss. It has literary works in Brazil and many others published in several countries, especially in publications of postall art.

Friday, June 09, 2006

Encontros Virtuais


Geraldo Magela


Sobe o pano. Uma mulher olha para o céu e abre a sua sombrinha como se começasse a chover. Fica lá, batendo o pezinho, impaciente, olhando o relógio como se estivesse esperando alguém. Chega um homem. Ele também olha para o céu e abre um guarda-chuva.. Fica parado, batendo o pé, olhando o relógio, como se estivesse esperando alguém. De repente, eles se olham. Continuam impacientes.
Homem - Chuvinha mais besta, né?
Mulher - É...
Homem – Desculpe a intromissão, mas você me parece um pouco nervosa.
Mulher - E não é para ficar nervosa? Odeio atrasos.
Homem - Eu também. Detesto gente que se atrasa.
Mulher - Pois é, mas essas pessoas me perseguem.
Homem - Também sofro com elas. Sempre marcam comigo e demoram, demoram...
Mulher - Comigo acontece quase sempre.
Homem - Eu fico muito irritado quando isso acontece.
Mulher - Eu também.
Os dois colocam os braços para fora do guarda-chuva e da sombrinha. Em seguida, fecham ambos, como se tivesse parado de chover.
Homem – Parou de chuviscar.
Mulher - Ainda bem, não suporto chuva.
Homem – Posso perguntar quem você está esperando todo esse tempo?
Mulher - Não sei, não conheço, quer dizer, só conheço pelo MSN.
Homem - Ah, um contato pela internet? Um encontro virtual?
Mulher - Sim, por que? O senhor tem alguma coisa contra encontros via internet?
Homem - Não, não, longe de mim. Sou viciado em internet. Já tive não sei quantos contatos virtuais com mulheres bem interessantes.
Mulher - E eu com homens muito interessantes.
Homem - Meu Deus, agora estou me lembrando. Você deve ser a Marlete.
Mulher - Sim, sou eu. E você, quem é?
Homem - Eu sou o Vander.
Mulher - Oh, meu Deus, então você é justamente quem eu conheci pela rede...
Homem – Que coincidência, não? Nós dois, aqui, conversando sobre encontros virtuais.
Mulher - Sim, mas este acabou sendo um encontro casual, pois se bem me recordo nós marcamos um encontro para amanhã, às três da tarde e não hoje, às cinco.
Homem - É, você tem razão.
Mulher - Mas, então, o que é que você está fazendo aqui?
Homem - Bem, estou esperando a Vandete.
Mulher – Quem é Vandete?
Homem – Ora, o meu segundo contato virtual da semana. E você, está esperando quem?
Mulher - Eu também estou esperando o meu segundo contato da semana, o Marlen.
Homem - Seguro morreu de velho, heim?
Mulher - Se é, nem me fale.
Homem – Espero que amanhã você não se atrase como esse tal de Marlen.
Mulher - E eu, espero que você também não se atrase, como essa tal de Vandete.
Ambos olham para o céu, novamente. Abrem depressa o guarda-chuva e a sombrinha como se começasse a chover novamente. Ficam batendo o pé, olhando o relógio, impacientes. Cai o pano.

1 Comments:

Blogger Thiago Moreira Gonçalves said...

Magela. Rachei de rir desse texto. Fiquei imaginando a tolice dos dois. Já que iriam se encontrar um dia depois, por que não adiantar as coisas, em vez de tanto esperar?
É como dizia o Renato Russo: "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar pra pensar, na verdade não há". Abraço, tá muito maneiro o blog.

1:43 PM  

Post a Comment

<< Home