<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468</id><updated>2011-10-17T10:37:30.472-07:00</updated><title type='text'>Brutalidade Jardim</title><subtitle type='html'>Blog de literatura, prosas urbanas, poéticas visuais e literatices</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>95</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-4563963746750091399</id><published>2007-03-07T16:55:00.000-08:00</published><updated>2007-03-07T17:00:09.483-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>1963.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Aos setenta e três anos, o anão sinistro parecia ter somente trinta, o que ajudava bastante durante as suas fugas após os delitos que praticava para sobreviver. Durante os quase trinta anos em que esteve desaparecido, Absalão não matara ninguém, apenas roubou residências e estabelecimentos comerciais em busca de comida enlatada e dinheiro. Furtos comuns e até ingênuos. O seu punhal de cabo de ouro permanecia guardado em lugar seguro, à espera de um novo “sinal”.&lt;br /&gt;                  De vez em quando, em transe, ele acariciava a arma sagrada como se estivesse esperando a hora certa para poder usá-la e retornar ao seu antigo “ofício”. Um chamado sobrenatural, talvez. Após aquela terrível visão, onde ele se viu morto pelo punhal de um “anão de olhos cruéis”, Absalão resolveu dar um basta temporário aos assassinatos, penetrando clandestinamente em um navio rumo à “Àfrica”. Conheceu densas florestas e desertos infinitos. Entediado, resolveu visitar o “Brasil”. Estes foram os dois únicos nomes que ele conseguiu memorizar durante quase trinta anos de viagem pelo “mundo”.&lt;br /&gt;                  Em dezembro de 1963 ele tomou a decisão de retornar à “América”, onde no passado ele conquistara uma abstrata notoriedade no submundo do crime. Morrer como um cucaracha não era um destino muito honroso, pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Durante um sonho, um anjo, talvez Gabriel, ele não poderia saber porque nunca dera bola para nenhum tipo de anjo ou santo, lhe apareceu oferecendo uma espada enorme e sangrenta. Os olhos do anjo brilhavam de forma estranha.&lt;br /&gt;                  O ouro do punhal de Absalão brilhava. A lâmina longa e afiada também. Era o tão esperado “sinal”... O anão pulou da cama improvisada num porão.&lt;br /&gt;                  “Nova Yorque” o aguardava, inocentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1965.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Um porto-riquenho apareceu morto numa manhã de neve num dos milhares becos escuros da cidade;&lt;br /&gt;                  Dois meses depois, outro cadáver, desta vez uma prostituta negra;&lt;br /&gt;                  No outro mês foi a vez de um comerciante de bebidas. Depois uma dançarina. Uma professora quarentona. Um velho que fazia cooper no “Central Park...” E por aí afora, dezenas de vítimas.&lt;br /&gt;                  Em todos, a marca inconfundível: o pequeno orifício sangrento.&lt;br /&gt;                  Direto no coração, conforme alardeavam os jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota do Autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Absalão, tal “detalhe” parecia ter pouca ou nenhuma importância. Era apenas o resultado natural de um golpe bem dado. O que realmente parecia importar era o “tamanho normal” das vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Dezenas de mortes em menos de um ano. Diversos cadáveres de todas as cores étnicas, sociais e econômicas. Pânico total na população. Perplexidade entre os policiais.&lt;br /&gt;                  “Há um novo ‘serial killer’ solto e impune”, denunciavam os jornais que desmoralizavam a polícia e as autoridades políticas.&lt;br /&gt;                  Mas eis que um tira aposentado de “Chicago” resolve enviar à polícia de “N.Y” um arquivo pessoal, contendo diversos recortes de jornal dos anos trinta, além de fotografias amareladas e até laudos periciais de assassinatos semelhantes registrados na época.&lt;br /&gt;                  O atento ex-investigador mencionava ainda em uma de suas cartas o nome de W.W.Phillips, um “inglês” que naqueles tempos empreendera uma longa jornada em busca da identidade do “assassino do punhal’, tendo conseguido informações precisas sobre o mesmo, mas que nunca foram divulgadas e que, a esta altura, já haviam sido incineradas...&lt;br /&gt;                  Estes documentos serviram para intrigar ainda mais os investigadores e a polícia técnica. Pela terrível semelhança entre os crimes ocorridos naqueles meses e os de trinta anos atrás, a possibilidade de o assassino vir a ser o mesmo era realmente considerável.&lt;br /&gt;                  O pior é que eles, assim como os policiais de três décadas atrás, sequer imaginavam que o tal assassino era um “anão”. Eles já haviam pensado em todos os tipos de maníacos e suspeitos cadastrados nas delegacias e não conseguido chegar a um denominador comum.&lt;br /&gt;                  O único meio de se conseguir alguma informação mais precisa seria localizar os descendentes de W.W.Phillips em “Londres, lembrou um detetive baixinho, estudante aplicado dos fundamentos da investigação policial.&lt;br /&gt;                  Coincidentemente, na capital “inglesa”, W.W.Phillips III, neto do famoso policial, um leitor voraz de contos e romances de mistério, resolveu remexer nas relíquias do seu avô e acabou descobrindo o indefectível caderninho de capa preto. Na primeira página, um título curioso: “REGISTROS PRECÁRIOS A RESPEITO DO MISTERIOSO” ASSASSINO DO PUNHAL ““.&lt;br /&gt;                  Num instinto, W.W.Phillips III se lembrou das últimas manchetes e notícias nas páginas dos jornais americanos da Biblioteca Pública que falavam dos assassinatos misteriosos que vinham ocorrendo em “Nova Yorque”.&lt;br /&gt;                  Imediatamente, o devorador incansável de literatura bizarra folheou o caderno até o final do emaranhado de anotações. Entre notas, descrições e desenhos, ele deparou com uma espécie de rascunho cronológico do suposto “assassino do punhal”.                  ( Tais registros serviriam para dar uma localização mais exata das origens e peripécias criminosas de Absalão e das próprias andanças de W.W.Phillips que não gostava muito de entrar em detalhes sobre os rumos da sua investigação )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-4563963746750091399?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/4563963746750091399/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=4563963746750091399' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/4563963746750091399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/4563963746750091399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/03/1963.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-6891093384804608337</id><published>2007-03-01T05:28:00.000-08:00</published><updated>2007-03-01T05:29:51.499-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>1922.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Um detetive, supostamente “londrino”, quem sabe um discípulo do lendário Sherlock Holmes, toma a decisão de investigar os crimes cometidos por Absalão a partir de pesquisas exaustivas em precários registros policiais até chegar aos arquivos de 1920 da polícia “americana”.&lt;br /&gt;                  Uma tarefa árdua, já que os crimes aconteceram e continuavam a ocorrer nos lugares mais diversificados do país.&lt;br /&gt;                  A cada pista, notícia ou mesmo boatos a respeito dos crimes, o detetive empreendia longas e sigilosas viagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1923.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Absalão mata um influente político de uma das grandes cidades do norte. O político, idoso e tetraplégico há mais de cinco anos, devido a um acidente doméstico, foi morto na própria cadeira de rodas. No peito, o orifício sangrento...&lt;br /&gt;                  O assassino entrou e saiu da mansão sem ser notado, como sempre. Misteriosamente. Ou microscopicamente.&lt;br /&gt;                  Desta vez, devido ao estado físico da vítima, Absalão dispensou o seu poder de provocar compaixão. Naturalmente, ele nem cobrou pelo serviço.&lt;br /&gt;                  Fez de graça, só pelo prazer da novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1925.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  O detetive, supostamente “londrino”, descobre em antigos registros (rabiscos, seria mais técnico) um assassinato idêntico realizado em 1909 num “porto”. O uso de um longo punhal...&lt;br /&gt;                  O investigador perspicaz já não tinha mais dúvidas: estava chegando às origens do criminoso, ou pelo menos aos seus primeiros crimes.&lt;br /&gt;                  Apesar das suas fantásticas descobertas, o velho policial não costumava comentar os seus feitos com ninguém. Ele era o que poderia se denominar como uma pessoa culturalmente reservada. Acreditava plenamente no segredo guardado a sete chaves. Certos detalhes de uma investigação ele nem sequer anotava, temendo que os mesmos pudessem parar em mãos erradas.&lt;br /&gt;                  Mas como a sorte andava de bem com o mortífero anão, o obstinado detetive só conseguiria chegar aos arquivos (manuscritos quase ilegíveis) de 1902 somente dali a uns dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1930.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Absalão vai para “Chicago”. Talvez a única cidade cujo nome ele conseguiu memorizar. Lá ele realiza dezenas de assassinatos, que são, obviamente, ligados à guerra dos gangsteres.&lt;br /&gt;                  A arma: um punhal com cabo de ouro maciço. O seu documento de identidade se tornara um objeto nobre. Ele agora fazia parte da elite secreta do crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1935.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Continuando a sua longa viagem em busca do maníaco, o obsessivo investigador descobre finalmente os manuscritos policiais de 1902, onde é narrado pelo próprio executor - um menino de aproximadamente nove anos de idade - o assassinato de um velho, morto com uma punhalada certeira no coração.&lt;br /&gt;                  O policial, já idoso, porém lúcido e em ótima forma física, chega finalmente ao reformatório onde Absalão passara cinco anos.&lt;br /&gt;                  Enquanto isso, distante dali, Absalão nem sequer desconfiava de que alguém estava bisbilhotando a sua “origem”. Origem esta que o próprio Absalão desconhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1936.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  W.W. Phillips - era este o nome do obstinado policial comprovadamente “inglês” - finalmente chega ao orfanato onde Absalão havia sido entregue no final de 1891 pelas autoridades judiciárias.            &lt;br /&gt;                  W.W. Phillips anota tudo em seu caderninho de capa preta, anotações que contribuirão muito na montagem da história oficial de Absalão, O Judeu Anão.&lt;br /&gt;                  Nos registros do orfanato ele descobriu a verdadeira origem do menino: “Casa dos Prazeres Madame Bovary”. Ele deve ter sorrido da maneira mais “inglesa” possível ao deparar com tal nome.&lt;br /&gt;                  Imediatamente, o detetive farejador se deslocou até o mencionado bordel, tão infecto quanto o orfanato, diga-se de passagem. Lá ele descobriu apenas que a mãe do menino era uma meretriz judia morta após o parto. O nome da criança, dado pela dona do prostíbulo, coincidia com os nomes recolhidos no reformatório e no orfanato: Absalão...só.&lt;br /&gt;                  Ele não possuia sobrenome... “Estranho”.&lt;br /&gt;                  O velho policial, satisfeito com os resultados da sua investigação, resolve então retornar à “América”, levando o seu relatório para o chefe de polícia de “Chicago”. Pelos telegramas que recebera nos últimos meses, aquela cidade era a nova moradia do “assassino do punhal”.&lt;br /&gt;                  (Apenas um dado anotado em seu caderninho de capa preta estava deixando o experiente policial intrigado. Alguém, no reformatório, havia afirmado com muita segurança que o delinqüente fugitivo era um “ANÃO”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1937.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Absalão contava agora com quarenta e seis anos de idade, mas parecia ter menos da metade disto. A morte de outras pessoas pelas suas pequeninas e deformadas mãos parecia dotar-lhe de uma propriedade, milagrosa, de rejuvenescimento.&lt;br /&gt;                  No início deste ano, Absalão teve um mau pressentimento acompanhado de um pesadelo no qual ele se achava acorrentado numa cela. No seu peito, um orifício. Um filete de sangue. À sua frente, um anão negro de olhinhos orientais o observava com crueldade. Um sorriso fino. No pesadelo, Absalão possuia o tamanho de uma “pessoa normal”.&lt;br /&gt;                  Acordou no meio da noite, sobressaltado. Arrumou as suas pequenas coisas e colocou tudo numa valise. Inclusive o punhal de cabo de ouro. Depois disto, sumiu de “Chicago” como num passe de mágica. Misteriosamente, como sempre.&lt;br /&gt;                  O seu desaparecimento coincidiu justamente com a chegada de W.W.Phillips à cidade, trazendo um relatório cheio de novidades para as autoridades policiais. Por medida de segurança, o documento foi mantido em sigilo total. Apenas o chefe de polícia, o prefeito e o promotor público tomaram conhecimento do seu conteúdo.&lt;br /&gt;                  Cautelosamente, foram expedidos mandados de prisão a um anão de nome Absalão, judeu, branco, etc, etc, etc... Buscas infrutíferas. Ninguém jamais conseguiu localizar tal suspeito.&lt;br /&gt;                  Porém, o mistério permanecia e os crimes continuavam sem solução. Absalão também continuava desaparecido e nenhum outro crime da mesma natureza foi registrado até a década de sessenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-6891093384804608337?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/6891093384804608337/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=6891093384804608337' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/6891093384804608337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/6891093384804608337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/03/1922.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-2450551441661380359</id><published>2007-02-08T14:20:00.000-08:00</published><updated>2007-02-07T06:42:08.438-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>1916.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Dois anos após ter deixado a ilhota, Absalão agora se encontrava na “América” (finalmente, um lugar cujo nome ele conseguiu decorar). Ele era um dos muitos milhares de imigrantes que chegavam ao continente.&lt;br /&gt;                  Com vinte e cinco anos, Absalão não parecia ter nem a metade destes anos, devido ao seu aspecto físico jovial e à sua própria compleição física. Parecia não envelhecer. Este era um dos muitos mistérios que cercavam aquele anão sobrenatural que, apesar do tamanho desprezível, conseguia matar pessoas de estatura normal.&lt;br /&gt;                  Se dependesse dele e da sua arma, ninguém jamais conseguiria desvendar tais mistérios, pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1920.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Com mais de quinze mortes na “América”, Absalão se tornara o mais lendário assassino daquelas paragens. Porém, continua anônimo, sem nenhum registro na polícia e sem nenhuma testemunha que pudesse identificá-lo.&lt;br /&gt;                  Os policiais, sem pistas, entediavam-se em discussões intermináveis sobre o “estilo” do assassino. Aquele minúsculo orifício no peito das vítimas... Trabalho feito com punhal, direto no coração, diziam os peritos.&lt;br /&gt;                  Assim que penetrou na “América”, o temível anão substituiu a adaga por um punhal de cabo branco e de lâmina longa, do jeito que ele apreciava.&lt;br /&gt;                  Aparecendo e desaparecendo misteriosamente em todos os becos escuros das grandes cidades, Absalão jamais chegou a ser visto ou sequer imaginado. E, consequentemente, jamais foi investigado. Nem mesmo o mais experiente dos investigadores conseguia explicar as dezenas de crimes e muito menos dar informações sobre quem os cometera.&lt;br /&gt;                  Francamente, eles nunca suspeitariam de um anão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota do Autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os policiais não poderiam saber que Absalão possuia o dom de despertar uma imensa compaixão em suas vítimas. Era algo quase que hipnótico. Assim, ele aproveitava para se aproximar dos seus alvos com total facilidade e aguardar o momento certo de desfechar o golpe mortal. Esta estratégia foi muito bem utilizada, de forma covarde e cínica, quando ele eliminou uma prostituta em 1910. Confortavelmente sentado sobre as grossas pernas da infeliz, enquanto acariciava-lhe o rosto moreno, ele esperou pacientemente que ela desabotoasse a blusa, fechasse os olhos e aguardasse a sua boca fina em seus seios para desferir-lhe uma certeira punhalada no coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-2450551441661380359?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/2450551441661380359/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=2450551441661380359' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/2450551441661380359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/2450551441661380359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/02/1916.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-1600728442150924462</id><published>2007-02-07T06:40:00.000-08:00</published><updated>2007-02-07T06:42:08.596-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>1910.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Todos os dias, beneficiando-se do seu corpo pequenino, Absalão visitava o porto. Olhava o mar e os navios. Não sabia onde estava e nem para onde queria ir. Queria atravessar o oceano. O punhal de cabo enfeitado escondido. Era o seu cúmplice em mais três assassinatos frios. O relatório na parede da chefatura de polícia informava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  1) Uma prostituta barata, viciada em ópio;&lt;br /&gt;                  2) Um marinheiro estrangeiro, embriagado;&lt;br /&gt;                  3) Um velho efeminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Párias! A polícia dava pouca importância a tais crimes. O Estado não iria gastar dinheiro investigando assassinatos de uns merdas. Realmente, a autoridade não se importava muito com os crimes, a não ser pelo estilo ousado do matador que não parecia ligar para o fato de ter eliminado quatro pessoas da mesma forma.&lt;br /&gt;                  Os pequenos orifícios sempre no mesmo local. E, logicamente, a preferência pelos punhais. “Um matador de porcos”, sugeriu na época um jornal popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1912.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  O cerco estava fechando.&lt;br /&gt;                  Deixando para trás um rastro de sangue, Absalão abandona finalmente aquele lugar desconhecido e embarca num navio rumo a outro lugar menos conhecido ainda. Comprou a passagem com o dinheiro roubado da sua última vítima, um ator decadente que vivia embriagado pelas madrugadas perigosas do submundo habitado por Absalão.&lt;br /&gt;                  O punhal de cabo enfeitado ia escondido na pequena maleta de viagem. Uma lâmina longa manchada de sangue era o seu único documento de identidade.&lt;br /&gt;                  Durante a viagem, numa noite de insônia, entre delírios e enjôos terríveis, Absalão teve uma visão: “Uma mulher que dizia ser sua mãe, segurando um grande punhal, caminhava na sua direção. Tinha ódio no olhar. De repente, num lance rápido, ela vira a lâmina contra o seu próprio peito”.&lt;br /&gt;                  Absalão saiu do transe, sobressaltado.&lt;br /&gt;                  Pegou o punhal de cabo enfeitado e o atirou no mar.&lt;br /&gt;                  Apesar de agoniado por ter perdido novamente a sua única referência histórica, ele sentiu uma espécie de alívio.&lt;br /&gt;                  No terceiro dia de viagem, uma tempestade colheu a frágil embarcação, provocando uma tragédia. O pequeno Absalão foi arrancado pelo vento e tragado pelas águas violentas do oceano.&lt;br /&gt;                  Mas como a sorte parecia andar lado a lado com o maligno anão, ele conseguiu se agarrar a uma espécie de bóia, sendo levado à deriva. Depois de três dias perdido, completamente faminto e doente, Absalão chegou à praia de uma ilha, sendo socorrido por pescadores nativos que o alimentaram e curaram os seus ferimentos.&lt;br /&gt;                  Um orfanato; o submundo; o reformatório e um circo bizarro. E agora uma ilha perdida no mar. Absalão tentava memorizar a sua história, deixando de lado os assassinatos. Para ele, aqueles crimes não significavam muito. Apenas eram necessários à sua sobrevivência. Era o mesmo que somar quantas refeições uma pessoa teria feito durante todos os seus anos de vida, pensava ele.&lt;br /&gt;                  “Asneiras!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1914.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Durante quase dois anos na ilha, convivendo em paz com os nativos, Absalão deixou de lado a tara por punhais. Pelo menos, parecia não estar mais interessado em perfurar pessoas, até o dia em que um navio mercante chegou à ilha para comprar cocos. O capitão da nave, um gordo bonachão, que lembrava de longe uma das vítimas do anão, lhe ofereceu um lugar no navio que rumava para um país do qual ele jamais ouvira falar.&lt;br /&gt;                  Absalão refletiu. Olhou a ilha. O mar. O horizonte pálido. Pensou um pouco mais e aceitou o convite. Na despedida, o líder da aldeia lhe deu de presente uma adaga de lâmina afiada, utilizada para limpar peixes, talvez. O anão abriu os lábios finos. Era o seu segundo sorriso em vinte e três anos de existência.&lt;br /&gt;                  Ele sentiu também, pela terceira vez, aquela sensação deliciosa ao tocar novamente numa lâmina, embora não tão pontiaguda como as anteriores.&lt;br /&gt;                  Era o novo “sinal”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-1600728442150924462?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/1600728442150924462/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=1600728442150924462' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/1600728442150924462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/1600728442150924462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/02/1910.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-4026264394792865551</id><published>2007-01-30T10:37:00.000-08:00</published><updated>2007-01-30T10:38:09.502-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>1902.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Neste ano, exatamente, ocorreu a primeira e única prisão de Absalão, O Judeu Minúsculo:&lt;br /&gt;                   Sem nenhum documento.Um punhal afiado. Nem mesmo a própria idade ele sabia. Disse apenas que na passagem do século havia cometido um homicídio. Confessou o crime com uma naturalidade de dar nojo.&lt;br /&gt;                   Foi imediatamente conduzido a um reformatório de menores, onde ficaria detido até ser julgado pela lei. Perdeu o punhal. A sua única referência histórica havia ficado com a polícia.&lt;br /&gt;                   Uma lágrima infantil por isso. Nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1907.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Absalão, O Judeu Anão, apelido mais respeitoso que havia recebido no reformatório, foge numa noite de calor. Leva consigo suprimentos e demais objetos necessários à sua escapada. Entre os objetos, um estilete.            &lt;br /&gt;                   Absalão resgata a sua minúscula identidade através desta nova lâmina. Volta a sentir aquela estranha sensação de antes.&lt;br /&gt;                   Agora, só faltava mesmo uma vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1909.&lt;br /&gt;                  &lt;br /&gt;                   Nos dois anos anteriores, Absalão cruzou as fronteiras da sua terra natal (desconhecida) e penetrou em outro mundo, também totalmente desconhecido. Se não sabia ler e nem mesmo escrever o seu próprio nome, como ele poderia decifrar mapas?&lt;br /&gt;                   A única coisa que tinha conhecimento, através dos diálogos curtos no reformatório, era que naquele “país”vizinho ele encontraria o mar.&lt;br /&gt;                   A polícia desistiu de tentar recaptura-lo. As autoridades não estavam dispostas a gastar dinheiro público na captura de um anão assassino.&lt;br /&gt;                   Antes de encontrar o mar, Absalão sobreviveu às custas de um salário minguado, graças à sua degeneração física. Trabalhou como ajudante dos palhaços num circo bizarro que explorava as aberrações físicas do seu elenco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   (Um orfanato. O reformatório. O submundo do crime. E agora um circo. Eram estas as únicas comprovações existenciais de Absalão. Para não falar do estilete. Objeto sagrado).&lt;br /&gt;                   Quando encontrou o mar, Absalão deparou também com a sua segunda vítima. À noite, no cais. Como da primeira vez, aos seus pés estava um cadáver “enorme”. “Gigantesco”. Se tivesse lido o Antigo Testamento, na certa ele evocaria o espírito de Davi, o pequeno pastor que eliminou o gigante Golias com uma pedrada.&lt;br /&gt;                   Novamente, o sangue escorrendo do pequeno orifício no peito do homem. O morto beirava a casa dos cinqüenta. Míope, usava óculos de grossas lentes. Lembrava também de longe o diretor do reformatório. Roubou as roupas e o dinheiro do defunto. Olhou demoradamente para o estilete sujo de sangue. Pensou em um punhal de cabo enfeitado e lâmina longa. Não hesitou. Jogou o estilete no mar, junto com os óculos da vítima.                   Abriu os lábios finos num sorriso rápido. O único sorriso em todos os seus minúsculos dezessete anos. ()&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-4026264394792865551?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/4026264394792865551/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=4026264394792865551' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/4026264394792865551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/4026264394792865551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/1902.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-2190677549912563371</id><published>2007-01-29T12:17:00.000-08:00</published><updated>2007-01-29T12:19:33.654-08:00</updated><title type='text'>Os orifícios do ofício</title><content type='html'>1891.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Absalão nasce em um prostíbulo.           &lt;br /&gt;                  A sua mãe, uma meretriz judia, morre durante o trabalho de parto. O pai, obviamente, ninguém sabia quem era. O nome Absalão é dado pela dona do bordel, uma cristã sob suspeita. Nome que lhe veio de estalo no momento em que a mulher soltou o último suspiro e a criança ainda chorava. Uma homenagem judaíca, talvez.&lt;br /&gt;                  Poucas semanas depois o bebê foi entregue às autoridades e conduzido a um orfanato não menos infecto que o bordel onde o infeliz nascera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1896.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Com apenas cinco anos de idade e portador de uma degeneração física em retardava o seu crescimento, Absalão, O Minúsculo, apelido dado pelos órfãos mais velhos, foge do orfanato numa noite fria, levando consigo apenas alguns objetos essenciais à sua sobrevivência. Roubados, naturalmente. Entre os objetos, aquele que lhe provocava uma sensação de prazer inexplicável: um punhal. Dos muitos usados pela cozinheira do orfanato para matar porcos.&lt;br /&gt;                  Absalão acariciava o punhal como uma criança acaricia o seu único brinquedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1899.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Passagem do século. Foguetório e festejos ao longe.&lt;br /&gt;                  Absalão, O Judeu Minúsculo, apelido até certo ponto pejorativo que ganhara dos mendigos e marginais que habitavam o seu mundo sórdido, ainda continuava perdido no tempo. Não sabia onde nascera, nem como fora parar no orfanato odiado e muito menos como se tornara um criminoso. Alguém havia lhe dito que era um “judeu”, mas isto não lhe dizia nada.&lt;br /&gt;                  A única coisa que ele sabia realmente era o óbvio:&lt;br /&gt;                  O século estava por um fio. À sua frente, ou melhor, aos seus pés, estava um cadáver. A primeira vítima da lâmina afiada do seu punhal. Um velho, cujo semblante lembrava de longe o diretor do orfanato. Um velho “enorme”.&lt;br /&gt;                  E ele, ali, minúsculo, com ódio nos olhos, observando o sangue que escorria do orifício.&lt;br /&gt;                  Bem no coração, murmurava quase num grunhido, enquanto sentia uma inexplicável sensação de prazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-2190677549912563371?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/2190677549912563371/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=2190677549912563371' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/2190677549912563371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/2190677549912563371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/os-orifcios-do-ofcio.html' title='Os orifícios do ofício'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-3693984405270430436</id><published>2007-01-29T03:30:00.000-08:00</published><updated>2007-01-29T03:35:07.012-08:00</updated><title type='text'>Novelinha</title><content type='html'>Nos anos 90 escrevi uma novelinha chamada "Os orifícios do ofício" que narrava as aventuras de um anão ("invisível") assassino. Absalão é o seu nome ou codinome, nem eu sei. A partir de agora vou publicar aqui, devidamente fragamentada, seguindo a cronologia da narrativa, essa novelinha meio realismo fantástico, meio insólita. Aguardem a postagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-3693984405270430436?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/3693984405270430436/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=3693984405270430436' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/3693984405270430436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/3693984405270430436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/novelinha.html' title='Novelinha'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-3706415521817992882</id><published>2007-01-25T10:38:00.000-08:00</published><updated>2007-01-25T10:40:39.964-08:00</updated><title type='text'>Poema do Leminski</title><content type='html'>Lugar onde se faz&lt;br /&gt;o que já foi feito,&lt;br /&gt;o branco da página,&lt;br /&gt;soma de todos os textos,&lt;br /&gt;foi-se o tempo&lt;br /&gt;quando, escrevendo,&lt;br /&gt;era preciso&lt;br /&gt;uma folha isenta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma página&lt;br /&gt;jamais foi limpa.&lt;br /&gt;Mesmo a mais Saara,&lt;br /&gt;ártica, significa.&lt;br /&gt;Nunca houve isso,&lt;br /&gt;uma página em branco.&lt;br /&gt;No fundo, todas gritam,&lt;br /&gt;pálidas de tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Paulo Leminski)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-3706415521817992882?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/3706415521817992882/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=3706415521817992882' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/3706415521817992882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/3706415521817992882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/poema-do-leminski.html' title='Poema do Leminski'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116903328821366212</id><published>2007-01-17T03:25:00.000-08:00</published><updated>2007-01-17T03:28:08.223-08:00</updated><title type='text'>Poeminha drumondário</title><content type='html'>não tive &lt;br /&gt;filhos&lt;br /&gt;não tive &lt;br /&gt;gado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algumas&lt;br /&gt;vaquinhas&lt;br /&gt;vêm pastar&lt;br /&gt;a grama&lt;br /&gt;em frente &lt;br /&gt;à minha casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembro-me&lt;br /&gt;de Drumond&lt;br /&gt;sólido urbano&lt;br /&gt;gauche na vida&lt;br /&gt;sentado &lt;br /&gt;à beira-mar&lt;br /&gt;de Copacabana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116903328821366212?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116903328821366212/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116903328821366212' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116903328821366212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116903328821366212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/poeminha-drumondrio.html' title='Poeminha drumondário'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116844621022591526</id><published>2007-01-10T08:22:00.000-08:00</published><updated>2007-01-10T08:23:30.240-08:00</updated><title type='text'>Clássicos</title><content type='html'>volto à estante&lt;br /&gt;para reler&lt;br /&gt;pela primeira &lt;br /&gt;vez&lt;br /&gt;a comédia &lt;br /&gt;divina&lt;br /&gt;de Dante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116844621022591526?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116844621022591526/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116844621022591526' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116844621022591526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116844621022591526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/clssicos.html' title='Clássicos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116827519929918052</id><published>2007-01-08T08:52:00.000-08:00</published><updated>2007-01-08T08:53:19.316-08:00</updated><title type='text'>Vida mansa</title><content type='html'>“Na literatura, o crime compensa!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Assim escreveu em suas memórias o dublê de ficcionista, Birdes Fontaine. Vejamos:&lt;br /&gt;   Because Forever, traficante de textos, contraventor desinibido, jamais chegou a ser preso. Morreu de velhice, lendo Jorge Luiz Borges, em uma estância confortável nos pampas gaúchos, comprada com o dinheiro ganho em suas atividades ilegais.&lt;br /&gt;   Tom Cat, personagem/bandido, assassino de aluguel, partiu desta para uma melhor, quando participava de um carteado na Taverna do Corvo Poe, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Morreu gargalhando depois de saborear a última anedota contada por Beraldo Bezerra.&lt;br /&gt;   Baltimore Batista, escritor pirata, um dos mais terríveis gatunos que a literatura universal já conheceu, teve morte tranqüila à beira do mar do Caribe, durante viagem turística paga com o dinheiro obtido no XXXIII Concurso de Contos do Amapá. Ele ganhou o primeiro lugar do concurso utilizando como se fosse seu um miniconto inédito do saudoso Antônio Scliar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116827519929918052?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116827519929918052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116827519929918052' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116827519929918052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116827519929918052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/vida-mansa.html' title='Vida mansa'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116801933946225385</id><published>2007-01-05T09:46:00.000-08:00</published><updated>2007-01-05T09:48:59.480-08:00</updated><title type='text'>Obra sem fim</title><content type='html'>Mestre Machado Callado morreu aos noventa anos, deixando uma obra imensa, entre crônicas, ensaios e, principalmente, romances regionalistas, volumosos e detalhistas ao extremo. Deixou também um livro inacabado. Ele costumava definir tal livro como “interminável”. Com o título provisório “Do Gênesis ao Apocalipse - Uma Aventura Lírica”, a obra poderia ser classificada como um romance histórico/biográfico.&lt;br /&gt;          Machado começou a escrevê-lo aos dez anos de idade, dando continuidade ao trabalho todos os dias da sua vida, sem a menor preocupação de publicá-lo. Às vezes escrevia dez linhas, dez palavras, uma página, tudo dependia do momento. Somando todas as anotações, na data da sua morte, o livro já contava com mais de vinte mil páginas, segundo cálculos dos parentes mais próximos.&lt;br /&gt;   Apesar dele mesmo se considerar um escritor medíocre, Machado morreu feliz, acreditando ter chegado à metade daquilo que ele acreditava ser um livro interminável. Ou insuportável, como queiram os aficionados pela síntese.&lt;br /&gt;   H.W.Silveira Filho, historiador e pesquisador de aberrações culturais, pela relação de amizade que mantinha com o mestre, teve acesso aos manuscritos e os considerou um “verdadeiro achado literário”, depois de ter lido apenas as quinhentas páginas da introdução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116801933946225385?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116801933946225385/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116801933946225385' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116801933946225385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116801933946225385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/obra-sem-fim.html' title='Obra sem fim'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116793704486655162</id><published>2007-01-04T10:54:00.000-08:00</published><updated>2007-01-04T10:57:24.883-08:00</updated><title type='text'>Vestígios</title><content type='html'>Até os dias de hoje Magrelo Mouse não acredita que a Pantera Negra tenha realmente matado o contista Antônio Scliar.&lt;br /&gt;   Para ele, a estória não passa de ficção barata fabricada pela mente viciada em crimes hediondos do romancista Mário Maltês que, diga-se de passagem, estava presente no local do crime.&lt;br /&gt;   Mouse jura que a Pantera Negra, na data do assassinato, participava de uma aventura nas selvas do Quênia, juntamente com o seu parceiro e amante Lorde Lerdo. Magrelo denuncia a “utilização da sua personagem como pivô de uma trama criada pelo debilóide Maltês”.&lt;br /&gt;   Segundo Mouse, o ex-contista Scliar foi vítima de um crime passional cometido por um dos muitos amantes de Botukú Buto, que teria utilizado uma espécie de garra de leopardo para destroçar o pescoço do escritor. Sobre o sumiço de Buto, ele alega que a poeta deve estar escondida em algum país africano temendo ser envolvida no assassinato.&lt;br /&gt;   A única coisa que Magrelo Mouse não sabe explicar é o intrigante sumiço da sua personagem bem no meio da tal aventura nas selvas do Quênia. A Pantera Negra só retorna à estória em quadrinhos citada por ele umas seis páginas adiante e com marcas de sangue nas suas imensas garras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116793704486655162?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116793704486655162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116793704486655162' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116793704486655162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116793704486655162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2007/01/vestgios.html' title='Vestígios'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116714179006076620</id><published>2006-12-26T05:58:00.001-08:00</published><updated>2006-12-26T06:03:10.060-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/1600/386837/SIGA.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/320/116632/SIGA.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116714179006076620?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116714179006076620/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116714179006076620' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116714179006076620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116714179006076620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/blog-post_26.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116714160699750942</id><published>2006-12-26T05:58:00.000-08:00</published><updated>2006-12-26T06:00:07.006-08:00</updated><title type='text'>Sangue frio</title><content type='html'>Em recente entrevista à revista CAOSTIDIANO nº 2, a escritora Wanda Wasíllis confirmou friamente o suicídio do atormentado Horacius H., personagem inédito da sua última coletânea de contos psicóticos.&lt;br /&gt;   Segundo ela, Horacius foi criado para viver pouquíssimo, pois não possuia personalidade forte o bastante para suportar as durezas de uma vida normal.&lt;br /&gt;   O entrevistador perguntou a W. Wasíllis se ela não sentiu remorsos por ter atirado o pobre personagem do último andar de um prédio. A escritora deu uma resposta convincente: “Alguns personagens nascem para viver nos esgotos, como o Tom Cat, outros para pular de um prédio!”&lt;br /&gt;   Sobre a possibilidade de ela vir a processar o ladrão de personagens, Baltimore Batista, que tentou lhe furtar Helga Coolgate, ela deu outra resposta interessante: “Alguns escritores servem para tentar roubar Helga, outros, como eu, para atirar Horacius do último andar. Tudo é uma questão de índole!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116714160699750942?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116714160699750942/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116714160699750942' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116714160699750942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116714160699750942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/sangue-frio.html' title='Sangue frio'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116671569445020568</id><published>2006-12-21T07:40:00.000-08:00</published><updated>2006-12-21T07:41:34.486-08:00</updated><title type='text'>Romantismos</title><content type='html'>Numa das conversas regadas a álcool na Taverna do Corvo Poe, Beraldo Bezerra resolveu falar sobre a paixão mortal de Querêncio Borba, O Escrevinhador Míope, por Eleonora Del Jaspe, moça delgada, branquinha, maluca de pedra e possuidora de um par de olhos traiçoeiros.&lt;br /&gt;   Dona de lábios finos e de uma fina ironia, Eleonora deixava os homens enlouquecidos. O escrevinhador foi apenas mais uma das inúmeras vítimas do veneno da serpente Del Jaspe que colecionava zumbis apaixonados.&lt;br /&gt;   Tempos mais tarde, Eleonora, A Maluquinha, se casou com um comerciante abastado e mudou-se para o interior. Querêncio parece ter se conformado com a situação após escrever uma série de odes, cantos e poemas que foram parar na lata de lixo, para o bem da humanidade.&lt;br /&gt;   Mas o maior arrependimento de Q.Borba, segundo Beraldo Bezerra, era o de nunca ter experimentado tocar naqueles seios branquinhos, levemente sardentos, que davam um toque de mistério ao corpo delgado de Del Jaspe. &lt;br /&gt;                 Após ouvir a estória, Tom Cat disse uma frase célebre:  &lt;br /&gt;   - O romantismo não vale mesmo a pena!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116671569445020568?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116671569445020568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116671569445020568' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116671569445020568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116671569445020568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/romantismos.html' title='Romantismos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116661669941488789</id><published>2006-12-20T04:06:00.000-08:00</published><updated>2006-12-20T04:11:39.426-08:00</updated><title type='text'>O roubo</title><content type='html'>“ Numa tediosa tarde de domingo, na falta do que fazer, resolvi roubar aquele protótipo de personagem feminino chamado Helga Coolgate, a cantora lírica, jazzwoman por acidente, criado pela escritora Wanda Wasíllis.&lt;br /&gt;   Helga me pareceu uma presa fácil, mas acho que me enganei. Coloquei a pobre cantora numa mini-novela erótica, daquelas de subir o intelecto de qualquer leitor.&lt;br /&gt;   Ela aparecia em duas ou três linhas imitando a Billy Holliday, enquanto duas lésbicas se lambiam... Parei aí mesmo. Decidi tirar a Helga da estória. Mas as tais lésbicas, para o meu castigo, continuavam se lambendo, lá na minha imaginação perversa.&lt;br /&gt;   Ao som da Billy, naturalmente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ( Trecho das confissões de Baltimore Batista perante a Comissão Literária de Inquérito )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116661669941488789?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116661669941488789/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116661669941488789' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116661669941488789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116661669941488789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/o-roubo.html' title='O roubo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116655051485369097</id><published>2006-12-19T09:47:00.000-08:00</published><updated>2006-12-19T09:48:34.906-08:00</updated><title type='text'>Vingança</title><content type='html'>Diz a lenda que antes de morrer, Aldon Almeida, escritor de um livro só, que na verdade eram doze, ou vice-versa, sentado à sombra dos floridos arvoredos da sua aconchegante casa de campo, fez um último pedido ao seu amigo inseparável, Jorge Sande.&lt;br /&gt;   Pediu ao amigo que colocasse fogo, ou consumisse de alguma outra forma eficaz, todos os manuscritos e anotações inéditas que se referissem ao seu décimo terceiro ( e único ) livro.&lt;br /&gt;   Jorge Sande, uma bicha cultíssima, lembrou-se do episódio em que Franz Kafka, no leito de morte, fez um pedido idêntico ao amigo Max Brod. Este, sabedor do talento genial de F.K. não atendeu ao pedido do amigo moribundo. Seu gesto transformou o escritor tcheco em um dos grandes gênios da literatura mundial.&lt;br /&gt;   Sande, ao contrário de Brod, após a morte de Aldon, atendeu de imediato o pedido dramático do amigo e botou fogo em tudo, deixando os editores da rendosa obra de A.Almeida enfurecidos. Na verdade, o gesto de Jorge S. também tinha outro motivo especial: Vingança!&lt;br /&gt;   Meses atrás, os mesmos editores haviam recusado a publicação de uma antologia contendo os poemas pornobarrocos de Sande.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116655051485369097?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116655051485369097/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116655051485369097' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116655051485369097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116655051485369097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/vingana.html' title='Vingança'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116645592073453519</id><published>2006-12-18T07:30:00.000-08:00</published><updated>2006-12-18T07:32:00.753-08:00</updated><title type='text'>Concurso literário</title><content type='html'>Após o terrível assassinato do ex-contista Antônio Scliar, a Associação Brasileira dos Escritores Desconhecidos - ABED, sob a presidência do míope Querêncio Borba, resolveu instituir o Prêmio Nacional de Literatura Antônio Scliar. O concurso envolveria as categorias de poesia, conto e romance, sendo destinado somente a escritores desconhecidos ou quase conhecidos, sem nenhuma fama ou mal afamados.&lt;br /&gt;   O poeta parnaso/simbolista Clementes Mendes presidiria o júri de poesia; o romancista bem conservado Machado Callado fora escolhido para presidir a comissão julgadora dos romances e o contista picareta Baltimore Batista presidiria a comissão encarregada dos contos.&lt;br /&gt;   As escolhas dos presidentes provocaram protestos violentos por parte de Mandrake Zake, Sérgio Simulacros e Beraldo Bezerra que se recusaram a participar do evento, taxando-o de “farsa montada para premiar dinossauros fossilizados, representantes de uma literatura pré-histórica”.&lt;br /&gt;   Apesar dos protestos e boicotes, o concurso recebeu mais de seis mil inscrições no total, sendo a maioria para a categoria poesia, como já era esperado. Três meses depois, as comissões anunciaram os resultados.&lt;br /&gt;   Infelizmente, em obediência ao regulamento do concurso, os nomes dos vencedores não puderam ser divulgados, mantendo assim o critério de anonimato dos escritores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116645592073453519?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116645592073453519/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116645592073453519' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116645592073453519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116645592073453519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/concurso-literrio.html' title='Concurso literário'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116609832454460093</id><published>2006-12-14T04:06:00.000-08:00</published><updated>2006-12-14T04:12:04.560-08:00</updated><title type='text'>Outsiders</title><content type='html'>Outsiders&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Tom Cat costumava freqüentar um bar sombrio, a Taverna do Corvo Poe, também preferido pelos poetas Mandrake Zake e Clementes Mendes, além do escritor/personagem Beraldo Bezerra, de gêneros distintos, mas dotados do mesmo prazer. Ou seja, passar a noite em longas bebedeiras, acompanhadas de conversas bem humoradas.&lt;br /&gt;   Tom Cat era um sujeito sem rumo, sem documento, ou quaisquer compromissos burocráticos com o mundo civilizado. Bebia às custas dos literatos que admiravam o seu modus vivendi e se divertiam com as suas odisséias marginais, enquanto tomava conhecimento de coisas inatingíveis para um bandido como ele.&lt;br /&gt;   Multimídia, animação gráfica, árias, óperas secas, simbolismo, geração beat, Hamlet e Castro Alves, tudo numa única salada cultural. E tome porre. Após a bebedeira, o quarteto se dissolvia, cada um em busca do seu lugar nenhum.&lt;br /&gt;   Pareciam personagens em fuga, dizia sempre o gordo Edgar, dono do bar sombrio.&lt;br /&gt;   Talvez ele tivesse razão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116609832454460093?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116609832454460093/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116609832454460093' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116609832454460093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116609832454460093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/outsiders.html' title='Outsiders'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116600803961118077</id><published>2006-12-13T03:04:00.000-08:00</published><updated>2006-12-13T03:07:19.623-08:00</updated><title type='text'>Biografia Humana / Coleta Seletiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/1600/827316/Biografia%20Humana.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/320/799071/Biografia%20Humana.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116600803961118077?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116600803961118077/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116600803961118077' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116600803961118077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116600803961118077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/biografia-humana-coleta-seletiva.html' title='Biografia Humana / Coleta Seletiva'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116594163267703563</id><published>2006-12-12T08:37:00.000-08:00</published><updated>2006-12-12T08:40:32.690-08:00</updated><title type='text'>A pantera</title><content type='html'>Durante o III Congresso Internacional dos Escritores Desconhecidos, realizado em Nairobi, algo terrível aconteceu.&lt;br /&gt;              O ex-contista, agora ensaísta, Antônio Scliar, ficou conhecendo a poeta Botukú Buto, uma negra esguia e sedutora. “Pantera Negra”, apelidou-a de cara o ex-contista, numa alusão óbvia à personagem felina de uma das estórias em quadrinhos do grafiteiro Magrelo Mouse.&lt;br /&gt;   Depois de um prolongado debate sobre o sexo na poesia etrusca, Scliar e Buto foram para a cama. Após a noite de amor, os dois não foram mais vistos no Congresso, tendo ambos desaparecido misteriosamente.&lt;br /&gt;   Estão trepando há dois dias seguidos,sentenciou o novelista Sérgio Simulacros.&lt;br /&gt;   Haja energia, admirou o cronista míope Querêncio Borba.&lt;br /&gt;   Estou achando tudo isso muito estranho, desconfiou Mário Maltês, escritor de romances policiais.&lt;br /&gt;   Resolveram então investigar, começando pelo quarto de Scliar e, para o horror de todos, descobriram o corpo do ex-contista e agora ensaísta pendurado no armário, já em processo de degeneração. O pescoço dele estava destroçado, como se tivesse sido atacado por algum tipo de felino de grande porte.&lt;br /&gt;   “Pantera Negra!” Gritaram todos, ao mesmo tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116594163267703563?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116594163267703563/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116594163267703563' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116594163267703563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116594163267703563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/pantera.html' title='A pantera'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116587260448249572</id><published>2006-12-11T13:25:00.000-08:00</published><updated>2006-12-11T13:30:04.526-08:00</updated><title type='text'>Salivações</title><content type='html'>língua&lt;br /&gt;letra&lt;br /&gt;paladar&lt;br /&gt;produto&lt;br /&gt;lânguida&lt;br /&gt;sílaba&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;negrito &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lânguida&lt;br /&gt;letra&lt;br /&gt;paladar&lt;br /&gt;produto&lt;br /&gt;língua&lt;br /&gt;sílaba&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;negrito &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;letra&lt;br /&gt;sílaba&lt;br /&gt;paladar&lt;br /&gt;produto&lt;br /&gt;lânguida&lt;br /&gt;língua&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;negrito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116587260448249572?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116587260448249572/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116587260448249572' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116587260448249572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116587260448249572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/salivaes.html' title='Salivações'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116583117546586647</id><published>2006-12-11T01:58:00.000-08:00</published><updated>2006-12-11T01:59:35.476-08:00</updated><title type='text'>Erotismo</title><content type='html'>( ... )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Era virgem ainda. O umbigo, a sua principal zona erógena.&lt;br /&gt;   Quando a conheci não permitia que ninguém o tocasse. Subiria pelas paredes, dizia, numa mistura de timidez e desejo reprimido, quem sabe.&lt;br /&gt;   Seios minúsculos. Nádegas rijas.&lt;br /&gt;   Até hoje me arrependo de não ter ultrapassado tal limite com a língua. Na minha fantasia, o umbigo dela era uma espécie de antecipação do clitóris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ( ... )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ( Fragmento de um conto erótico encontrado em poder de Because Forever, traficante de textos inéditos )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116583117546586647?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116583117546586647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116583117546586647' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116583117546586647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116583117546586647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/erotismo.html' title='Erotismo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116548833291080442</id><published>2006-12-07T02:43:00.000-08:00</published><updated>2006-12-07T02:45:32.926-08:00</updated><title type='text'>Trocadilho</title><content type='html'>“Alguns seres humanos nascem para praticar o mal. Às vezes, até de modo inocente... E a sua ingenuidade chega a sugerir uma espécie de cinismo insuportável”.&lt;br /&gt; Jezebel Junkle, uma bela jovem que estava aprontando horrores na nova safra de escritores brasileiros, falava de homens e mulheres dessa forma em suas famosas fábulas. &lt;br /&gt; “Com apenas vinte e um anos, Jezebel e a sua narrativa pós-moderna chegaram para ficar e impor o seu estilo, ou a sua própria falta de estilo”, diziam os críticos mais avançadinhos. Mas, contrariando leitores e críticos entusiasmados, J. Junkle resolveu parar de escrever logo depois de publicar o seu segundo livro de contos... Ou melhor, fábulas. &lt;br /&gt; Ela declarou aos poucos amigos do meio literário que com os seus dois best-sellers recebeu apenas uma mixaria, enquanto as editoras ganharam “fábulas”. &lt;br /&gt; (...) Um trocadilho imperdoável para uma mente tão privilegiada (...) escreveu um jovem articulista do caderno de cultura de um jornal de tiragem nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116548833291080442?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116548833291080442/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116548833291080442' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116548833291080442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116548833291080442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/trocadilho.html' title='Trocadilho'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116532021059453687</id><published>2006-12-05T04:01:00.000-08:00</published><updated>2006-12-05T04:03:30.613-08:00</updated><title type='text'>O suicida</title><content type='html'>“Tudo o que é sólido desmancha no ar”.&lt;br /&gt;   Depois de ficar com essa frase na cabeça por vários meses, Horacius H., suicida dialético praticante, resolveu pular do último andar do prédio onde morava.&lt;br /&gt;   Pulou mesmo.&lt;br /&gt;   No meio da sua viagem para a morte inevitável, Horacius sentiu um frio intenso e cortante. Talvez fosse a tal sensação de desmanchamento.&lt;br /&gt;   Uma espécie de transição do estado sólido para o gasoso, deve ter pensado ele, antes de se esborrachar na via pública.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116532021059453687?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116532021059453687/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116532021059453687' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116532021059453687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116532021059453687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/o-suicida.html' title='O suicida'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116523682946354377</id><published>2006-12-04T04:51:00.000-08:00</published><updated>2006-12-04T04:53:49.496-08:00</updated><title type='text'>Esoterismo</title><content type='html'>O novelista Sérgio Simulacros pagou uma nota preta à pitonisa Mercius de Capricórnio para que ela lhe mostrasse o caminho do sucesso literário.&lt;br /&gt;   A pitonisa acendeu um havana, meditou alguns segundos e chegou a uma conclusão insólita: Sérgio S. teria de mudar de nome. O novo nome deveria ter as iniciais em Z. A vidente, em transe perpétuo, disse ao novelista fracassado que ele também deveria abandonar a ficção urbana e experimentar o caminho da literatura esotérica, uma verdadeira mina de ouro.&lt;br /&gt;   Sérgio deixou a tenda mística disposto a mudar de nome pela décima vez. Tinha até uma idéia em Z: “Zé Zen”, curto, rápido e original. Difícil seria mudar de gênero. Logo ele, que nunca acreditou em duendes e gnomos, fadas e bruxas, ou magia de espécie alguma. Como poderia ter o estímulo necessário para escrever livros esotéricos? &lt;br /&gt;   Resolveu então ir novamente atrás de Mercius para pedir um conselho extra. Tarde demais, a pitonisa já havia desmontado sua tenda e partido sem deixar poeira cósmica para trás. Sérgio Simulacros teve a estranha sensação de que havia sido vítima de uma picaretagem mística.&lt;br /&gt;   O curioso é que, meses depois, apareceu nas livrarias um livro intitulado “As Aventuras da Cigana Cósmica de Capricórnio”, de um autor estreante chamado Zé Zen.&lt;br /&gt;   Sérgio S. jurou que era pura “coincidência”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116523682946354377?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116523682946354377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116523682946354377' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116523682946354377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116523682946354377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/esoterismo.html' title='Esoterismo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116497833695430117</id><published>2006-12-01T05:02:00.000-08:00</published><updated>2006-12-01T05:05:36.976-08:00</updated><title type='text'>Sensualidade</title><content type='html'>“Ela possuia uma beleza hedionda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os olhos negros, enormes, uns cílios imensos e olheiras falsas de ressaca. Pescoço comprido, quilométrico mesmo, chamando a atenção de excitadas bocas alheias. Um perfume estranho, longínquo. Artificial.&lt;br /&gt;   Aliás, ela era toda artificial. Os braços finos. As pernas grossas, mais grossas do que poderiam imaginar os investigadores de corpos. Tudo nela era paradoxal. Belo, mas, incoerentemente, desumano.&lt;br /&gt;   O andar silencioso. Esqueleto maleável. O vestido lembrava um modelo europeu daqueles desfiles da Globosat. Algo nela lembrava a Naomi Campbell. Talvez a boca...Os quadris cindycrawfordianos.&lt;br /&gt;   Ela quase não falava. Apenas monossílabos. Vagos. Mas tudo nela era terrivelmente sensual. Um suplício de mulher perfeita.&lt;br /&gt;   E inatingível, diria o míope Querêncio Borba. “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Depoimento do grafiteiro Magrelo Mouse, viajando no retrato falado de Helga Coolgate feito por Baltimore Batista, ladrão de personagens )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116497833695430117?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116497833695430117/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116497833695430117' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116497833695430117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116497833695430117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/12/sensualidade.html' title='Sensualidade'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116491310464773096</id><published>2006-11-30T10:56:00.000-08:00</published><updated>2006-11-30T10:58:24.703-08:00</updated><title type='text'>Trópicos</title><content type='html'>Carlos Drumond da Costa, o Drumond, nome de poeta, vida de gangster pé de chinelo, doente de ciúmes de Grace Kelly Pereira, deliciosa mulata da Escola de Samba Unidos do Já Vem, descarregou a sua pistola automática importada no corpo musculoso de Manuel Bandeira Pereira, o Bandeira, nome de poeta, vida de traficante.&lt;br /&gt;   Como dizem os turistas americanos, o povo dos trópicos tem o sangue muito quente. &lt;br /&gt;   Drumond, na realidade, tinha o sangue muito frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ( Miniconto assinado por Baltimore Batista, cuja idéia original foi roubada de Antônio Scliar )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116491310464773096?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116491310464773096/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116491310464773096' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116491310464773096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116491310464773096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/trpicos.html' title='Trópicos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116466792208175636</id><published>2006-11-27T14:50:00.000-08:00</published><updated>2006-11-27T14:52:02.090-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/1600/409839/MST.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/320/658784/MST.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116466792208175636?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116466792208175636/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116466792208175636' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116466792208175636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116466792208175636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/blog-post_27.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116458079813782932</id><published>2006-11-26T14:38:00.000-08:00</published><updated>2006-11-26T14:39:58.146-08:00</updated><title type='text'>inventário solar</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/1600/484053/Imagem.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/320/890532/Imagem.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116458079813782932?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116458079813782932/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116458079813782932' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116458079813782932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116458079813782932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/inventrio-solar.html' title='inventário solar'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116458051296591211</id><published>2006-11-26T14:32:00.000-08:00</published><updated>2006-11-26T14:35:12.980-08:00</updated><title type='text'>Inconfidências eletrônicas</title><content type='html'>joaquim silvério dos reis brincando &lt;br /&gt;no computador de tiradentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DELATO (...) DELETO&lt;br /&gt;DELETO (.. ) DELATO&lt;br /&gt;DELATO ( . ) DELETO&lt;br /&gt;DELETO (   ) DELATO&lt;br /&gt;DELATO (     DELETO&lt;br /&gt;             @ DELATO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geraldo Magela / 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116458051296591211?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116458051296591211/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116458051296591211' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116458051296591211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116458051296591211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/inconfidncias-eletrnicas.html' title='Inconfidências eletrônicas'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116458022289223773</id><published>2006-11-26T14:28:00.000-08:00</published><updated>2006-11-26T14:30:22.906-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/1600/584029/DESCONCR.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1026/3072/320/384981/DESCONCR.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116458022289223773?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116458022289223773/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116458022289223773' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116458022289223773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116458022289223773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116436765449539175</id><published>2006-11-24T03:25:00.000-08:00</published><updated>2006-11-24T03:27:34.506-08:00</updated><title type='text'>Caça ao tesouro</title><content type='html'>( A cidade continuava desmemoriada )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Até aí nada demais. Assim eram todas a cidades de igual tamanho.&lt;br /&gt;   Mas o pesquisador H. W. Silveira, incansável descobridor de tesouros inúteis, resolveu penetrar no interior da cidade, chefiando uma pequena expedição científica.&lt;br /&gt;   Como de costume, não encontraram grande coisa. Algumas ossadas centenárias de escravos e uma múmia, identificada como a do suposto pioneiro que, segundo registros precários, fundara a cidade.&lt;br /&gt;   Os “tesouros” encontrados foram entregues às autoridades que os colocaram junto a uma forja catalã e um punhado de ferro retorcido, expostos à visitação pública.&lt;br /&gt;   H.W. Silveira morreria esquecido, segurando nas mãos o diploma de cidadão honorário que recebera da Câmara Municipal. O seu nome foi citado também no poema épico de Clementes Mendes.&lt;br /&gt;   Mas a cidade continuava, absurdamente, sem uma história confiável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116436765449539175?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116436765449539175/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116436765449539175' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116436765449539175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116436765449539175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/caa-ao-tesouro.html' title='Caça ao tesouro'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116430843150524872</id><published>2006-11-23T10:58:00.000-08:00</published><updated>2006-11-23T11:00:31.506-08:00</updated><title type='text'>Depoimento</title><content type='html'>“Certa vez, uma amiga me perguntou sobre o porque de todos os personagens das minhas obras serem do sexo masculino. Não soube responder, pois confesso que jamais ter pensado nisto. A partir de então comecei a refletir. Seria algum tipo de preconceito implícito?&lt;br /&gt;   Comecei a pensar, ininterruptamente, em criar um personagem do sexo feminino. Não precisava ser exatamente uma mulher, no sentido mais radical. Poderia ser uma cadela, uma máquina, um andróide ou uma boneca eletrônica. Nada, não conseguia criar nenhum personagem feminino ou efeminado.&lt;br /&gt;   Depois de meses consegui pensar em um protótipo inconsistente com o nome de Helga Coolgate, cantora lírica que sobrevivia cantando jazz em New Orleans no início do século.Achei melhor, para o bem da dita cuja, destruir a idéia antes que ela se consolidasse em algum conto ou novela, sei lá.&lt;br /&gt;   O estranho é que no dia seguinte, em frente à minha velha Remington, espólio do meu avô, me veio de estalo mais um personagem macho:&lt;br /&gt;   Horacius H., pensador insignificante... ( ... )   &lt;br /&gt;   Mais um pênis na minha literatura de terceira, pensei eu, conformada.”&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    ( Depoimento de Wanda Wasíllis, escritora polêmica e premiada )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116430843150524872?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116430843150524872/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116430843150524872' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116430843150524872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116430843150524872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/depoimento_23.html' title='Depoimento'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116419328445598417</id><published>2006-11-22T03:00:00.000-08:00</published><updated>2006-11-22T03:01:24.466-08:00</updated><title type='text'>Inédito</title><content type='html'>Trecho do livro inédito “O Extrato do Cotidiano”, de Beraldo Bezerra, escritor beat sem nunca ter sido:&lt;br /&gt;    ( ... ) Pernas femininas. Diversas. Me rodeiam. Passo o cartão magnético do lado errado de novo. Não aprendo nunca. Refaço a operação. A minha cabeça de vento está sempre no mundo torneado das pernas femininas. Digito a senha. Não perco de vista as pernas. Sou um discreto observador de pernas. Talvez alguém mais já tenha registrado o fato de que a maioria das mulheres consideradas “feias” possuem pernas interessantes. Corto o papel do extrato, enquanto as minhas mãos percorrem pernas inatingíveis. Saio do banco para cair novamente no mundo das pernas  ( ... )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116419328445598417?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116419328445598417/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116419328445598417' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116419328445598417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116419328445598417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/indito.html' title='Inédito'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116410999239620597</id><published>2006-11-21T03:50:00.000-08:00</published><updated>2006-11-21T03:53:12.406-08:00</updated><title type='text'>Poder paralelo</title><content type='html'>Because Forever, habitante dos morros íngremes, vinte e seis anos de pura prosa, era suspeito de tráfico ilegal de trechos de livros.&lt;br /&gt;    Tal atividade criminosa consistia no seguinte: escritores de laboratório fabricavam, clandestinamente, fragmentos, trechos e até páginas inteiras de material literário, repassando a muamba para os traficantes venderem no mercado editorial. A rede do tráfico era formada por profissionais da ficção desempregados e até por autores respeitáveis, além de ex-escritores.&lt;br /&gt;    O material era vendido a editores de péssima reputação e escritores de best-sellers, inclusive esotéricos de qualidade duvidosa. Segundo a imprensa marrom, até mesmo alguns intelectuais conceituados faziam uso da mercadoria de primeira qualidade fornecida por Because e sua gang.&lt;br /&gt;    O comércio ilegal de trechos de livros ia bem, com a devida propina paga às autoridades livreiras, até o dia em que os personagens de um romance regionalista morreram de overdose, provocada pelo excesso de detalhes contidos em mais de cem páginas sobre o drama meloso de um jovem rico com uma prostituta francesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116410999239620597?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116410999239620597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116410999239620597' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116410999239620597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116410999239620597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/poder-paralelo.html' title='Poder paralelo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116402301383107440</id><published>2006-11-20T03:40:00.000-08:00</published><updated>2006-11-20T03:43:33.843-08:00</updated><title type='text'>Filosofia</title><content type='html'>Horacius H., pensador insignificante passava os dias enfiado na Biblioteca Pública à procura de alguma filosofia ainda não deflorada pela sua gula incurável.&lt;br /&gt;    Platão, Aristóteles, Sartre, Kant, Shopenhauer, Hegel, Rousseau, Kierkegaard, Marx, Benjamin, Engels, todos lhe interessavam. Para não falar dos contemporâneos. Entre eles, um lhe atraia mais: Rhussardo Ruivo, o ideólogo do suicídio santificador.&lt;br /&gt;    Envolto numa atmosfera de solidão e silêncio, entre muralhas de livros, Horacius H. devorava o pensamento escrito de R. Ruivo. Não cessava de refletir sobre a teoria defendida pelo mestre de que “o autosacrifício nos leva à santidade absoluta”.&lt;br /&gt;    “A morte, devidamente provocada, purifica a nossa alma e nos conduz à vida eterna”, ensinava o filósofo suicida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116402301383107440?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116402301383107440/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116402301383107440' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116402301383107440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116402301383107440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/filosofia.html' title='Filosofia'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116376388210059452</id><published>2006-11-17T03:43:00.000-08:00</published><updated>2006-11-17T03:44:42.110-08:00</updated><title type='text'>Vazio</title><content type='html'>“a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta.&lt;br /&gt;a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta.&lt;br /&gt;a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta.&lt;br /&gt;a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta.&lt;br /&gt;a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta.&lt;br /&gt;a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta.&lt;br /&gt;a memória é tudo o que nos resta,&lt;br /&gt;mínima luz, fio de neblina pela fresta...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    (Peça integrante do inquérito que apura a falta de produtividade poética de Mandrake Zake, poeta moderno ou pós-algo)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116376388210059452?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116376388210059452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116376388210059452' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116376388210059452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116376388210059452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/vazio.html' title='Vazio'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116367708180551557</id><published>2006-11-16T03:37:00.000-08:00</published><updated>2006-11-16T03:38:01.823-08:00</updated><title type='text'>Intestinos</title><content type='html'>Magrelo Mouse, grafiteiro e desenhista de HQ, rato das bienais nacionais e internacionais, roedor solitário de obras e instalações contemporâneas, havia devorado alguns artigos assinados pelo crítico de arte Pereira Gullag, onde o ex-guerrilheiro das vanguardas arrasava a chamada arte experimental. “A vanguarda das vanguardas não existe”, sentenciava o crítico nos seus textos.&lt;br /&gt;    O estômago de M. Mouse, acostumado aos mais ecléticos restos mortais da última bienal internacional, parecia ter aceitado bem as argumentações de Gullag, mas os intestinos nem tanto. Magrelo acabou borrifando com merda estética todo o decente sanitário da Fundação. O produto acabou se tornando objeto da pesquisa sórdida realizada por Dorico Vilibaldo na criteriosa composição do seu livro “Fezes”. E o banheiro se transformou em mais uma instalação inusitada de arte experimental.&lt;br /&gt;    Pura ironia do destino. Ou dos intestinos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116367708180551557?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116367708180551557/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116367708180551557' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116367708180551557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116367708180551557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/intestinos.html' title='Intestinos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116350520890243692</id><published>2006-11-14T03:51:00.000-08:00</published><updated>2006-11-14T03:53:28.920-08:00</updated><title type='text'>Pirataria</title><content type='html'>Baltimore Batista, pirata das letras, confessou na Comissão Literária de Inquérito da Associação Brasileira de Escritores Desconhecidos que o personagem Florêncio Bueñaventura fora roubado de um livro de estórias extraordinárias do século XVIII, de autoria anônima.&lt;br /&gt;    Era o típico produto para a ação de um pirata da qualidade de Baltimore, famoso pelas suas incursões secretas no Arquivo Público e nas bibliotecas públicas, sempre à caça de algum tesouro desprotegido. Ele roubava personagens e os transformava em outros com características parecidas, dando uma nova condução ao enredo, cuja idéia "original" também era produto de furto.&lt;br /&gt;    A comissão considerou Baltimore culpado do crime de pirataria premeditada, mas como o livro era de autor desconhecido, e não havendo nenhuma queixa registrada, ele acabou sendo liberado. O personagem Florêncio Bueñaventura foi apreendido e cassado pela CLI, enquanto o vilão saía da audiência com um novo plágio na cabeça: reescrever o seu próprio depoimento, agora na condição de vítima de um escritor pirata do século XVIII...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116350520890243692?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116350520890243692/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116350520890243692' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116350520890243692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116350520890243692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/pirataria.html' title='Pirataria'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116341398887124698</id><published>2006-11-13T02:31:00.000-08:00</published><updated>2006-11-13T02:33:08.886-08:00</updated><title type='text'>Gêneros</title><content type='html'>Wanda Wasíllis, escritora polêmica publicou um livro estranho. Estranho no que dizia respeito ao gênero literário que deveria pertencer a obra. Conto, novela ou romance? &lt;br /&gt;    Poesia, não era de jeito nenhum, pelo menos na opinião radical de Mandrake Zake. Para o ex-contista Antônio Scliar, a estória era uma novela e ponto final. Já o novelista Sérgio Simulacros considerou o trabalho um romance moderno, “apesar de ter certas afinidades estruturais com o conto”, frizou. Mas o romancista Machado Callado também possuia opinião divergente. Para ele, não havia dúvidas de que Wanda Wasíllis escrevera um conto. “Um pouco longo demais, mas não deixa de ser um legítimo conto”, dissertou o velho mestre.&lt;br /&gt;    Dos cinquenta escritores convidados para analisar o caso, dezessete disseram que se tratava de conto; outros dezessete afirmaram ser uma novela e dezesseis taxaram a obra de romance. A discussão chegou às páginas dos suplementos literários e foi objeto de teses e ensaios enormes e pedantes, mas até hoje ninguém conseguiu chegar a uma conclusão definitiva.&lt;br /&gt;    Se é que isso realmente interessa aos leitores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116341398887124698?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116341398887124698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116341398887124698' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116341398887124698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116341398887124698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/gneros.html' title='Gêneros'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116317320731877687</id><published>2006-11-10T07:39:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T07:40:07.373-08:00</updated><title type='text'>O silêncio</title><content type='html'>Procópio P, repórter/personagem sempre nutriu grande fascínio pelos desertos. Em 1984 empreendeu uma longa viagem pelos desertos da África e escreveu uma reportagem a respeito, sob o agradável formato de uma crônica, da qual capturamos este pequeno trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   “... e o dia estava quente. Quente demais. No horizonte, o deserto traiçoeiro e um ponto escuro, distante. Com o passar das horas, o ponto se transformou em traço verticalizado, sem foco. Miragem? Um beduíno perdido? O dia claro. Claro demais para as minhas retinas sensíveis. Não se via mais o traço desfocado e dançante. Somente o horizonte branco. E o silêncio. Silêncio... Silêncio... Silêncio... Restava-me somente a certeza de que aquela cena se repetiria no dia seguinte. No deserto, as coisas sempre se repetem, inclusive o silêncio...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116317320731877687?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116317320731877687/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116317320731877687' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116317320731877687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116317320731877687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/o-silncio.html' title='O silêncio'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116309101453102846</id><published>2006-11-09T08:46:00.000-08:00</published><updated>2006-11-09T08:50:14.590-08:00</updated><title type='text'>O bufão</title><content type='html'>Florêncio Bueñaventura, O Camaleão, apelido carinhoso dado pelos habitantes do lado escuro da metrópole, possuía o dom natural da metamorfose, podendo se transformar em mais de uma centena de tipos e personalidades diferentes.&lt;br /&gt;   Levava uma vida divertida e, paralelamente, divertia uma platéia de párias com a sua “mágica”. Ora era Hamlet, Dom Quixote, Madame Bovary, Romeu e Julieta, Peri, etc. Para as crianças adorava ser Teleco, O Coelhinho e, encerrando o espetáculo, virava Getúlio Vargas suicidando-se, deixando comovidos os espectadores mais idosos.&lt;br /&gt;   Apesar do tom lúdico da sua metamorfose, uma certa crise existencial rondava Florêncio, pois ele tinha dúvidas a respeito da sua própria identidade e tampouco se lembrava do seu caráter. Amargurou-se com o passar do tempo, mas continuava a divertir o povo.&lt;br /&gt;   Tragicamente, ao final de um espetáculo de Natal, O Camaleão, encarnando Getúlio, detonou um tiro de verdade no peito e pôs um fim à sua agonia. A platéia, tomada pela comoção já peculiar, aplaudiu de pé o “realismo” da cena.&lt;br /&gt;   Florêncio Bueñaventura, morto, parecia ser apenas mais uma das suas próprias facetas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116309101453102846?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116309101453102846/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116309101453102846' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116309101453102846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116309101453102846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/o-bufo.html' title='O bufão'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116291427175516850</id><published>2006-11-07T07:43:00.000-08:00</published><updated>2006-11-07T07:44:31.773-08:00</updated><title type='text'>Escatologia</title><content type='html'>Dorico Vilibaldo, pesquisador de estilos, foi excluído do quadro de honra da Academia de Letras e Artes depois que escreveu e publicou um livro escatológico.&lt;br /&gt;   O trabalho, intitulado “Fezes” (Edição do Autor,2004), continha os resultados de vinte anos de pesquisas realizadas nos mais variados sanitários do país. Além de trazer narrativas fidelíssimas a respeito do tamanho, cor e odor das protagonistas ( leia-se fezes ), o livro exagerava nas minúcias, beirando ao mau gosto de relatar manchinhas de merda no fundo de vasos turcos.&lt;br /&gt;   Dorico expulso da A.L.A e com mais de mil exemplares do livro encalhados, amaldiçoou seus colegas de fardão, mandando-lhes à merda.&lt;br /&gt;   Literalmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116291427175516850?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116291427175516850/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116291427175516850' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116291427175516850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116291427175516850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/escatologia.html' title='Escatologia'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116281053032280432</id><published>2006-11-06T02:54:00.000-08:00</published><updated>2006-11-06T02:55:30.333-08:00</updated><title type='text'>Inutilidade</title><content type='html'>Clementes Mendes, poeta parnaso, talvez até simbolista, foi o único que teve coragem suficiente para escrever um épico sobre a cidade, narrando as glórias e decadências do lugar. Versos pomposos e estrofes gigantescas marcavam a obra bem construída.&lt;br /&gt;   Poetas como Clementes adoram perder tempo com textossauros que ninguém terá paciência para ler. Em todo caso, o poema foi muito bem recebido pelos críticos que dão plantão na cultura local, que ficaram admirados com a “beleza lírica, a estrutura, a densidade dramática da obra”.&lt;br /&gt;   Mas como beleza lírica, estrutura e densidade dramática não enchem a barriga de ninguém, a cidade não ligou bulhufas para o textossauro de C. Mendes. O episódio só serviu para confirmar a maldita tese defendida pelos nossos avós:            &lt;br /&gt;          “Literatura não leva ninguém a nada!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116281053032280432?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116281053032280432/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116281053032280432' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116281053032280432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116281053032280432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/inutilidade.html' title='Inutilidade'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116238388963380584</id><published>2006-11-01T04:23:00.000-08:00</published><updated>2006-11-01T04:24:49.646-08:00</updated><title type='text'>Crime passional</title><content type='html'>“Manoel Bandeira Pereira, o Bandeira, nome de poeta, vida de bandido, morto de ciúmes de Gracy Jones Silva, uma deliciosa passista da Escola de Samba Unidos do Bicho Pegou, esvaziou a sua submetralhadora de uso exclusivo das Forças Armadas no corpo franzino de Roberto Carlos Silva, nome de cantor, vida de cachorro.&lt;br /&gt;   Como dizem os turistas europeus, o povo dos trópicos tem o sangue muito quente. &lt;br /&gt;   Manoel Bandeira, ao contrário, tinha o sangue bastante frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   ( ... )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     ( Miniconto de Antônio Scliar )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116238388963380584?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116238388963380584/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116238388963380584' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116238388963380584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116238388963380584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/11/crime-passional.html' title='Crime passional'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116229510543910410</id><published>2006-10-31T03:42:00.000-08:00</published><updated>2006-10-31T03:45:05.453-08:00</updated><title type='text'>Pseudônimo à procura de autor</title><content type='html'>Birdes Fontaine, um pseudônimo à procura de autor. Vocação terrível. Mas ele vivera tempos de glória nos concursos literários municipais e regionais, assinando contos escritos sob a influência do realismo fantástico.&lt;br /&gt;   Depois disso, somente decepções, fracassos, desistências. A prosa tornara-se um exercício impossível para o aprendiz de Murilo Rubião, que preferiu optar pela síntese poética.&lt;br /&gt;   O rompimento não fora nada fácil. O autor, agoniado, havia destruído manuscritos originais e anotações, todas contendo a presença metafísica do pseudônimo.&lt;br /&gt;   Birdes então o abandonou. Virou free lancer. Segundo comentários levianos no meio literário, ele anda atualmente de parceria com uma estudante de letras, gordinha, que escreve sob a sagrada influência de Garcia Marquez.&lt;br /&gt;   Amor à primeira frase.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116229510543910410?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116229510543910410/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116229510543910410' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116229510543910410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116229510543910410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/pseudnimo-procura-de-autor.html' title='Pseudônimo à procura de autor'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116221402445826592</id><published>2006-10-30T05:12:00.000-08:00</published><updated>2006-10-30T05:13:44.473-08:00</updated><title type='text'>Ficção barata</title><content type='html'>Mandrake Zake, poeta pós-alguma coisa, descobriu que a poesia, assim como todo tipo de literatura, a exemplo da música, está esgotada. O que existe é um mero exercício de repetição, devidamente legalizado e de domínio público.&lt;br /&gt;                            Angustiado, M. Zake parou de escrever (repetir). Mergulhado na densa solidão do seu quarto e na boa companhia de João Cabral, Bandeira e Leminski, ele chegou a uma conclusão drástica: o seu cérebro estava intoxicado de versos plagiados. E a sua alma também.&lt;br /&gt;                            Numa demonstração de que os poetas continuam nada originais, ele cortou as veias poéticas e ficou na banheira aguardando a morte.&lt;br /&gt;                            Meses depois teve gente jurando que viu Mandrake Zake tentando vender, por antecipação, exemplares do seu último livreto de poemas.Além disto, segundo os mais íntimos, ele não possuia banheira em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                            O suicídio teria sido pura “literatura”?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116221402445826592?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116221402445826592/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116221402445826592' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116221402445826592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116221402445826592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/fico-barata.html' title='Ficção barata'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116195579143539924</id><published>2006-10-27T06:28:00.000-07:00</published><updated>2006-10-27T06:29:51.453-07:00</updated><title type='text'>Adjetivos</title><content type='html'>Dizia o ex-contista Antônio Scliar: “Parei de escrever por causa dos adjetivos. Sou um viciado em adjetivos. Exagero neles na hora de botar a estória no papel. É algo terrível.&lt;br /&gt;                           Verdade. Observem o trecho abaixo que pertence a um conto policial, onde esse meu horripilante vício está muito bem caracterizado.&lt;br /&gt;                            (...) O pobre Moura, gordo e patético, sequer imaginava que a sua amada mulher, ossuda e bela, lhe traía, descaradamente, com o delinqüente Tom Cat, gatuno perigoso que habitava os escuros e malcheirosos túneis da secreta galeria de esgotos do submundo torpe daquela cidade espessa (...) “.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116195579143539924?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116195579143539924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116195579143539924' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116195579143539924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116195579143539924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/adjetivos.html' title='Adjetivos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116186897325554162</id><published>2006-10-26T06:20:00.000-07:00</published><updated>2006-10-26T06:22:53.270-07:00</updated><title type='text'>Quase</title><content type='html'>Aldon Almeida,escritor de uma única novela ficou famoso ao escrever e publicar a mesma obra de ficção por doze vezes. Publicou, em vida, doze livros diferentes, porém quase idênticos.&lt;br /&gt;                            Esse “quase” é o fator determinante na descoberta do talento literário de Aldon. O enredo, a narrativa, o estilo e os personagens de sua obra são sempre os mesmos. Mas, como todo grande mestre na arte da repetição, ele fez uso de alguns truques para atrair e aguçar a curiosidade dos leitores.&lt;br /&gt;                            Vejamos: a narrativa tem, obviamente, doze títulos diferentes e as frases finais do capítulo XV e do epílogo da obra jamais se repetem. É aí que reside a sutileza do autor. Contudo, é bom ressaltar que para o leitor compreender totalmente a trama ele deverá adquirir todos os volumes, seguindo a cronologia correta das publicações.&lt;br /&gt;                            É aí que reside a causa do enriquecimento do escritor. Aldon Almeida faleceu milionário, deixando inacabado o décimo terceiro livro da famosa série.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116186897325554162?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116186897325554162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116186897325554162' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116186897325554162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116186897325554162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/quase.html' title='Quase'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116169962332054187</id><published>2006-10-24T07:16:00.000-07:00</published><updated>2006-10-24T07:20:23.336-07:00</updated><title type='text'>Literatices</title><content type='html'>Beraldo Bezerra, escritor/personagem beatnik, nordestino, quarenta anos, um tanto frustrado, porém bem humorado, desapareceu de um romance experimental sem deixar pistas do seu paradeiro. Abandonou a estória bem no meio da trama.&lt;br /&gt;                            Na realidade, a sua presença não era assim tão necessária, já que num romance vanguardeiro os personagens pouco importam. Aliás, nem mesmo o enredo importa muito.&lt;br /&gt;                            Mas o sumiço repentino de Bezerra deixou o escritor angustiado, pois não era a primeira vez que uma das suas insólitas criaturas o deixava na mão.&lt;br /&gt;                            Tempos depois, para a surpresa e ódio do seu criador, Beraldo Bezerra reapareceria num miniconto fantástico de um escritor bissexto de Minas Gerais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116169962332054187?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116169962332054187/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116169962332054187' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116169962332054187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116169962332054187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/literatices.html' title='Literatices'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116162642875776433</id><published>2006-10-23T10:58:00.000-07:00</published><updated>2006-10-23T11:00:28.770-07:00</updated><title type='text'>O lirismo</title><content type='html'>“O lirismo não leva ninguém a nada”, escrevera em sua biografia póstuma o dublê de ficcionista Birdes Fontaine.  E foi pensando assim que Because Forever, mulato desinibido, sem maiores adjetivos, descarregou o seu taurus 38 cano curto no impassível manequim na vitrine de uma das muitas lojas do shopping center.&lt;br /&gt;“Terapia Quentin Tarantino”, conforme apelidou o fato o articulista de um jornal local.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116162642875776433?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116162642875776433/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116162642875776433' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116162642875776433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116162642875776433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/o-lirismo.html' title='O lirismo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116048233918316668</id><published>2006-10-10T05:03:00.000-07:00</published><updated>2006-10-10T05:12:19.210-07:00</updated><title type='text'>A linguagem clara de Bandeira *</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Geraldo Magela&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I  -  Indagações sobre sombras&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que homens são esses&lt;br /&gt;                  de olhares&lt;br /&gt;monossilábicos&lt;br /&gt;               feito sólidos&lt;br /&gt;totens malditos&lt;br /&gt;cobertos de silêncio&lt;br /&gt;                   e cinzas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que homens são esses&lt;br /&gt;                enigmáticos&lt;br /&gt;como sombras de um&lt;br /&gt;              teatro chinês&lt;br /&gt;sem enredo ou história&lt;br /&gt;somente a tragédia&lt;br /&gt;               de suas faces?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que homens são esses&lt;br /&gt;                  adestrados&lt;br /&gt;prontos a transpassar&lt;br /&gt;                arcos de fogo&lt;br /&gt;que dominam a sala&lt;br /&gt;de concreto frio&lt;br /&gt;                 geométrico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que homens são esses&lt;br /&gt;                                tigres&lt;br /&gt;em seu eterno&lt;br /&gt;                          monólogo&lt;br /&gt;de remorsos&lt;br /&gt;murmurando um rosário&lt;br /&gt;     de lentas devorações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que homens são esses&lt;br /&gt;              circunspectos&lt;br /&gt;imóveis ao redor&lt;br /&gt;               de uma mesa&lt;br /&gt;coberta pela bandeira&lt;br /&gt;desonrada&lt;br /&gt;  por manchas abstratas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II  -  Memórias&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;paredes&lt;br /&gt;de cal&lt;br /&gt;e rancor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;janelas&lt;br /&gt;trancando&lt;br /&gt;a luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;portais&lt;br /&gt;sustentando&lt;br /&gt;angústias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dos restos&lt;br /&gt;o resumo&lt;br /&gt;da obra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;melancolia&lt;br /&gt;de cupins&lt;br /&gt;impunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III  -  Anorexias&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;crianças&lt;br /&gt;esqueléticas&lt;br /&gt;sonham&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;big-mac&lt;br /&gt;com fritas&lt;br /&gt;coca-cola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;miséria social&lt;br /&gt;é o lado ruim&lt;br /&gt;da fome&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pensa a&lt;br /&gt;jovem&lt;br /&gt;modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IV  -  Pequenos registros em hortas e jardins urbanos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vidraças opacas&lt;br /&gt;sintonizam&lt;br /&gt;besouros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lagartixas graves&lt;br /&gt;sentenciam&lt;br /&gt;vôos tediosos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;roseiras rubras&lt;br /&gt;sugerem&lt;br /&gt;saúvas negras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tática de teias&lt;br /&gt;aranhas&lt;br /&gt;adjetivas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;melancolia&lt;br /&gt;de lesmas&lt;br /&gt;nas begônias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;soníferas lagartas&lt;br /&gt;sonham&lt;br /&gt;espessuras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;insetos verbais&lt;br /&gt;tamanha&lt;br /&gt;gramática&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;taturanas&lt;br /&gt;substantivas&lt;br /&gt;natureza tenaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;V  -  Confissão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca desejei&lt;br /&gt;ossos&lt;br /&gt;em meus&lt;br /&gt;versos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca enxertei&lt;br /&gt;épicos&lt;br /&gt;em meus&lt;br /&gt;textos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre busquei&lt;br /&gt;a linguagem&lt;br /&gt;clara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como nos&lt;br /&gt;escritos de&lt;br /&gt;Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;embora nunca&lt;br /&gt;consegui&lt;br /&gt;tê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Conjunto de poemas que recebeu menção honrosa no 4º Prêmio Nacional de Poesia - Cidade de Ipatinga 2006 &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116048233918316668?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116048233918316668/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116048233918316668' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116048233918316668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116048233918316668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/linguagem-clara-de-bandeira.html' title='A linguagem clara de Bandeira *'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-116005380558451479</id><published>2006-10-05T06:01:00.000-07:00</published><updated>2006-10-05T06:10:05.600-07:00</updated><title type='text'>Cá do mundo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;                                                    Wir Caetano - 2006&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;keats era inglês&lt;br /&gt;yeats irlandês&lt;br /&gt;de qual europa vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;valéry era francês&lt;br /&gt;dylan thomas galês&lt;br /&gt;de qual europa vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.n.van eyck holandês&lt;br /&gt;sá-carneiro português&lt;br /&gt;de qual europa vocês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bashô era japonês&lt;br /&gt;li shangyin era chinês&lt;br /&gt;de qual planeta vocês?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-116005380558451479?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/116005380558451479/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=116005380558451479' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116005380558451479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/116005380558451479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/c-do-mundo.html' title='Cá do mundo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115997126371882305</id><published>2006-10-04T07:12:00.000-07:00</published><updated>2006-10-04T07:14:23.743-07:00</updated><title type='text'>Historinha de ninar</title><content type='html'>Na primeira noite em que o demônio entrou na igreja, acontecimentos terríveis foram presenciados pelo padre Antão, que estava no interior do templo barroco.&lt;br /&gt;Todos os santos se partiram em centenas de fragmentos. O altar-mor se desfez, devorado por milhões de cupins diabólicos. Os bancos de madeira levitaram. A nave principal foi cortada ferozmente por rachaduras imensas.&lt;br /&gt;Um fogo inesperado lambeu o templo de ponta a ponta, transformando tudo em cinzas, inclusive o velho padre.&lt;br /&gt;Pela manhã, os sinos da matriz acordaram os fiéis, como se nada tivesse acontecido. No imenso portal da porta de entrada da igreja, lá estava o padre Antão, observando a cidadezinha com um olhar estranho.&lt;br /&gt;Não era o padre. Na verdade, era o demônio. Nas próximas noites, ele retornaria à igreja por três séculos seguidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115997126371882305?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115997126371882305/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115997126371882305' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115997126371882305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115997126371882305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/historinha-de-ninar.html' title='Historinha de ninar'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115988461652865519</id><published>2006-10-03T07:08:00.000-07:00</published><updated>2006-10-03T07:10:16.530-07:00</updated><title type='text'>Novo blog de literatura</title><content type='html'>Os poetas alternativos estão de volta.&lt;br /&gt;Mais um blog literário na rede:&lt;br /&gt;O escritor Lucas Palhares criou o http:/casadegravetos.blogspot.com&lt;br /&gt;Confiram!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115988461652865519?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115988461652865519/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115988461652865519' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115988461652865519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115988461652865519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/novo-blog-de-literatura.html' title='Novo blog de literatura'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115988440090675467</id><published>2006-10-03T07:05:00.000-07:00</published><updated>2006-10-03T07:06:40.923-07:00</updated><title type='text'>poema piada antigo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;esprema&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;teu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;zóide&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela / 1982&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115988440090675467?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115988440090675467/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115988440090675467' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115988440090675467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115988440090675467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/poema-piada-antigo.html' title='poema piada antigo'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115979736214793818</id><published>2006-10-02T06:54:00.000-07:00</published><updated>2006-10-02T06:56:02.163-07:00</updated><title type='text'>O sinal</title><content type='html'>O assassino virtual invadiu mais um site de relacionamento na internet. Deixou a sua marca sanguinolenta no rosto de uma menininha linda, na flor dos 15 anos. A família da adolescente desesperou-se com o seu desaparecimento súbito. Colocaram a foto dela em todos os grandes jornais e a mãe foi parar os noticiários da televisão. O assassino, como sempre, não deixou vestígios. Apenas enviou pelo correio uma calcinha com o desenho bordado da minie, namorada do mickey. Era o sinal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115979736214793818?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115979736214793818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115979736214793818' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115979736214793818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115979736214793818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/10/o-sinal.html' title='O sinal'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115938149861252329</id><published>2006-09-27T11:23:00.000-07:00</published><updated>2006-09-27T11:24:58.626-07:00</updated><title type='text'>Mais continhos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tiro livre&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;         Eu andava meio perdido pelas duas avenidas do centro da cidade. Poucos rostos conhecidos. Uma angústia de dar medo tomava conta do falso cenário. Para quem não conhecesse os mistérios do nosso cotidiano, a cidade poderia até aparentar certa calma. Não fosse o franco-atirador, à espreita, em cima do telhado alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cabeças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;         A redação do jornal já estava em pleno e estressante processo de dead-line (mania que os brasileiros têm de utilizar termos em inglês), quando chegou a notícia. A polícia havia descoberto um corpo sem cabeça no rio. &lt;em&gt;Como várias pessoas andaram perdendo as cabeças nos últimos dias, seria quase impossível descobrir quem seria o infeliz&lt;/em&gt;, comentou um repórter distraído.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115938149861252329?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115938149861252329/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115938149861252329' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115938149861252329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115938149861252329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/09/mais-continhos.html' title='Mais continhos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115893492156229952</id><published>2006-09-22T07:20:00.000-07:00</published><updated>2006-09-22T07:22:01.640-07:00</updated><title type='text'>Depois do almoço</title><content type='html'>Ela estava completamente nua e encostou com força no meu corpo, abraçando-me e beijando a minha boca. Apertei as suas nádegas redondas com as mãos bem firmes. Ela mordeu o meu lábio inferior com certa força, despedindo-se. Fui embora, com a boca ardendo e um desejo enrustido em minha memória ruim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115893492156229952?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115893492156229952/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115893492156229952' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115893492156229952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115893492156229952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/09/depois-do-almoo.html' title='Depois do almoço'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115884749875730158</id><published>2006-09-21T07:03:00.000-07:00</published><updated>2006-09-21T07:04:58.766-07:00</updated><title type='text'>Memórias</title><content type='html'>A casa velha caiada de rancor. O azul desbotado das janelas e dos portais ainda era mais forte do que o azulão do céu naquela tarde de mormaço. A mulher, solitária, estava observando a sombra nervosa de um homem alto e magro, montado a cavalo, que dominava a enormidade do piso de tábua da sala. Ele trazia um revólver na cintura e algumas histórias para contar. A maioria delas era de puro cinismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115884749875730158?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115884749875730158/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115884749875730158' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115884749875730158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115884749875730158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/09/memrias.html' title='Memórias'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115824140594032396</id><published>2006-09-14T06:39:00.001-07:00</published><updated>2006-09-14T06:43:25.940-07:00</updated><title type='text'>mínguas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;ínguas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;          humanas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;          línguas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;urbanas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela / 2006&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115824140594032396?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115824140594032396/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115824140594032396' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115824140594032396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115824140594032396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/09/mnguas.html' title='mínguas'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115824120416119425</id><published>2006-09-14T06:39:00.000-07:00</published><updated>2006-09-14T06:40:04.180-07:00</updated><title type='text'>Dia cinza</title><content type='html'>Uma espécie de cisma me acompanha desde os tempos de menino. Os dias cinzentos são um sinal de que alguma coisa desagradável poderá acontecer. Geralmente, a “coisa desagradável” pode ser traduzida como a morte de alguém, conhecido ou não. Parente ou inimigo, não interessa, a verdade é que dificilmente erro o meu palpite insólito. Sempre morre mesmo uma pessoa em dias cinzentos, chuvosos. Com aquela tênue e perigosa névoa dominando o cenário. Hoje, por exemplo, amanheceu meio cinza, com uma ameaça de chuva ao longe. Mau sinal. Tais pressentimentos não me agradam. Ao contrário, me deixam angustiado. Daqui a pouco o telefone vai tocar, ou algum conhecido poderá me parar na rua para comunicar a morte de uma pessoa qualquer. Talvez até, infelizmente, uma pessoa querida. A coisa mais macabra nessa estória é que sempre uma pessoa qualquer faz questão de me avisar sobre as mortes. Mortes naturais ou mesmo brutais, acidentes, assassinatos, fatalidades ou coisas do tipo. É terrível. E pior ainda vai ser o dia da minha própria morte. Imagino, como não poderia deixar de ser, um dia cinzento. E ninguém vai poder me avisar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115824120416119425?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115824120416119425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115824120416119425' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115824120416119425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115824120416119425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/09/dia-cinza.html' title='Dia cinza'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115737952657025353</id><published>2006-09-04T07:15:00.000-07:00</published><updated>2006-09-04T07:18:46.580-07:00</updated><title type='text'>Palavras</title><content type='html'>Eu sempre fui muito esquisito. Esquisito talvez não seja uma boa palavra. A melhor palavra seria talvez “estranho”. É, eu sempre fui uma pessoa estranha. Gostaria de saber se existe algum grupo de auto-ajuda para estranhos, já que existem tantos grupos para viciados, alcoólatras, neuróticos, depressivos e maníacos de todo tipo. Não, acho que ainda não criaram nenhum grupo destinado aos estranhos. Pois deveriam. Conheço muitas pessoas estranhas. Cada uma com um tipo particular de esquisitice. Não, esquisitice não é uma boa palavra. Melhor seria “excentricidade”. É mais sofisticado. Geralmente, as pessoas que achamos estranhas têm um alto grau de sofisticação. Nem que seja pura farsa. Sim, porque os estranhos são, em sua maioria, seres bastante teatrais. Eu, por exemplo, me considero um ser teatral. Aliás, eu não sou uma pessoa no sentido restrito da palavra. Eu sou um personagem. É por isso que você deve estar estranhando a minha presença na sala, vestido de camisolão branco e encarnando o “doente” de Moliére.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115737952657025353?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115737952657025353/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115737952657025353' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115737952657025353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115737952657025353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/09/palavras.html' title='Palavras'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115702496597124293</id><published>2006-08-31T04:34:00.000-07:00</published><updated>2006-08-31T04:49:25.986-07:00</updated><title type='text'>O silêncio que apavora</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                                                    Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estrague a minha noite com estes assuntos complexos, implorei. De nada adiantou. Logo percebi que aquela seria mais uma noite interminável, recheada de monólogos regados a vinho branco seco e que cortariam a madrugada. Nada de sexo, somente masturbação mental. Ela não me olhava nos olhos, mas eu sentia a presença dela como se a sua alma falante estivesse dentro do meu corpo. Era uma sensação esquisita. Era sempre assim quando ela começava a dissertar sobre qualquer assunto. Principalmente quando a causa dos seus monólogos era a nossa origem. Engenharia genética, para ser mais preciso. Por coincidência, ou bruxaria, nós éramos os últimos sobreviventes da famosa geração in vitro, criada no início do terceiro milênio. Gerados totalmente em tubos de vidro, nós fomos a atração do circo científico. Passamos uns dez anos rodeados de mídia por todos os lados. Superamos os clones humanos, os andróides, os seres mutantes e dezenas de outros experimentos considerados como aberrações pelos mais escrupulosos defensores da ética científica. Agora estávamos sozinhos, perdidos numa estação espacial num ano qualquer do terceiro milênio. Pendurados no espaço vazio e entediante. Não, infelizmente não era sonho ou pesadelo. Nem um set de filmagens de algum cineasta americano da extinta Hollywood. Filme de ficção científica? Antes fosse uma coisa assim, do passado. Não, agora era o presente. Um presente insólito. Presente de grego, diria um velho amigo já morto pela doença fatal do final do século 21 que dizimou meio mundo e deixou a outra metade isolada. A velha gripe espanhola, meu chapa, uma barra pesada. A morte nos rondava até mesmo na vastidão do universo. E ela agora dissertava sobre filosofia. Ainda adolescente já era um tesão intelectual. Literatura, o seu forte. Cinema, então, nem pensar em discutir, sabia de cor. Artes plásticas, uma enciclopédia. Conhecia Freud e seus labirintos mentais. Além de saber tudo sobre gastronomia, principalmente a cozinha francesa. O que estamos fazendo perdidos nesta estação espacial, perguntava eu, enquanto admirava os seus cabelos curtos, loiros. A sua boca fina, sensualíssima, se mexendo a cada sílaba. Os dentes grandes. Suas pernas longas, grossas, se remexendo a cada gole de vinho. Por um momento pensei em sexo no espaço em branco dos meus pensamentos. Um lapso de memória, ela diria, se pudesse ler os meus pensamentos eróticos. Os olhos negros fixos no meu rosto, falando agora do fim dos internautas.  Meu Deus, este papo agora de Internet, até chegar na nossa origem de seres criados num laboratório em algum lugar da Terra. É o fim, pensei. Mas como o sono nunca vem, uma conversa inteligente sempre vale a pena. Sempre valeu nas fases de insônia que têm se repetido, infinitamente, na nossa rotina. Ela realmente parece ter lido os meus pensamentos. Por um momento pousou as suas mãos brancas entre as pernas, lá no v da sua calça colante preta, roçando-lhe o dedo médio, dissimuladamente. Olhou para mim, meio embriagada, porém lúcida como ninguém. De uns tempos para cá nós começamos a perder o sono. Parece maldição. Aproveitamos então para nos conhecer melhor. Ela nem sempre fala tanto assim. Depende. Às vezes, fica muda como uma porta. Gélida. O silêncio me apavora, sempre me amedrontou, desde criança, em algum lugar da Terra onde me criei. Nunca gostei do silêncio. Ela costuma ficar dias sem falar uma palavra. Fico louco. Aí, sou eu quem dispara a falar. Falo, aos berros, talvez querendo ouvir a minha própria voz na vastidão do espaço, enquanto ela me olha, distante. Entre nós sempre foi assim. Nunca falamos juntos, pois nenhum de nós suportaria. Somos dois seres extremamente falantes. Talvez seja algum efeito retardado do tubo de vidro. A criatura nascida em laboratório é uma espécie de solitário compulsivo e só consegue viver a dois se for com um igual. Disse isto a ela. Ignorou a minha opinião, mas riu muito. Talvez se lembrando de algo. Somos pessoas com uma memória fantástica. Todos sempre disseram isto. Na escola, no trabalho, em todos os lugares pelos quais passamos. Nunca nos sentimos diferentes, talvez porque vivemos juntos desde crianças. Um agarrado ao outro. Parecem gêmeos, diziam as pessoas. Vão acabar casados, cochichavam os nossos pais e tios, talvez já prevendo o futuro. E deu no que deu. Nos juntamos sem dar muita satisfação. O prazer de estarmos juntos bastava. Nunca tivemos nenhuma outra experiência amorosa e nem sexual. Só nós dois, desde crianças. Como irmãos. Uma espécie de incesto permitido. As leis de Deus ou de qualquer outra entidade não poderiam nos atingir. Nos conhecemos sexualmente desde muito cedo. Ela punha a mão no meu sexo e eu acariciava o dela, ao mesmo tempo. Lembro-me como se fosse hoje. Ela me beijando, enquanto tomávamos banho junto. Era a idade da inocência. Deu-me tesão agora lembrar disto. Foi há tantos anos... Os seus olhos negros, imitando o cenário lá fora, brilharam. A danada estava lendo os meus pensamentos. É uma merda. Somos gêmeos, não há dúvida. Ela ri, carinhosamente. Aproxima-se de mim e me beija a boca levemente. Gosta das minhas lembranças. Claro, são memórias iguais. Da nossa vida em terra temos poucas lembranças. Acho que fizemos questão de esquecer. Não me lembro mais nem dos nossos animais de estimação, que são coisas supostamente inesquecíveis. Começamos a escrever juntos um livro de memórias. Paramos não sei em qual capítulo, talvez naquele em que narramos nosso desejo enorme de vir para o espaço num momento de crise para a raça humana. Fugir da Terra era uma boa idéia, pois o planeta estava condenado. A doença de tempos ancestrais devastou lares inteiros. Levou a maioria dos nossos parentes. Nos deixaram sozinhos, ela dizia, num misto de melancolia e ironia. Passamos toda a nossa vida grudados um ao outro. É algo natural em nós, seres in vitro. Fetos alimentados por proteínas artificiais durante nove meses devem ficar sensíveis a este tipo de coisa, costumavam explicar os geneticistas do nosso tempo. Apesar disto, cada um tinha seu espaço, suas tarefas e preferências. Ela detestava dadaísmo e surrealismo. Eu odiava os girassóis do louco Van Gogh que ela amava de paixão, além dos impressionistas que eu sempre desprezei. Esta mulher é o máximo, dizia eu para o meu próprio rosto transfigurado nos espelhos da nave, cada vez que nós nos enfrentávamos em fervorosos debates culturais. Poesia pura. Acredito que seja este o material que compõe o seu belo corpo humano. Penso nisso enquanto a observo tirar a roupa. Ela gosta de ficar nua, assim de repente. Exibindo-se para mim. Talvez para ela própria neste deserto cósmico. Nua, ela fica cheia da luz forte que nos ilumina no interior da estação. Iluminado, o seu corpo é algo fenomenal. Ela sorri. Continua a falar, só que agora de forma melodiosa. Conta estórias como se fosse uma espécie de ópera. Eu ali, hipnotizado, tentando decifrar seus leves movimentos de bailarina solitária. Constelações nos observam, longe. E ela, com a sua voz aveludada, continua a falar. O vinho acabou. O nosso oxigênio está quase no fim. Lá fora, o silêncio pavoroso parece que nunca vai acabar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115702496597124293?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115702496597124293/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115702496597124293' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115702496597124293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115702496597124293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/08/o-silncio-que-apavora.html' title='O silêncio que apavora'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115696523530956127</id><published>2006-08-30T12:06:00.000-07:00</published><updated>2006-08-30T12:13:55.800-07:00</updated><title type='text'>Pós modernos</title><content type='html'>o negro&lt;br /&gt;e principalmente&lt;br /&gt;o cinza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para não&lt;br /&gt;falar&lt;br /&gt;do branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;( Geraldo Magela/1994 )&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115696523530956127?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115696523530956127/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115696523530956127' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115696523530956127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115696523530956127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/08/ps-modernos.html' title='Pós modernos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115556204304669639</id><published>2006-08-14T06:25:00.000-07:00</published><updated>2006-08-14T06:27:23.060-07:00</updated><title type='text'>O visual agressivo de Mike</title><content type='html'>O visual agressivo de Mike J. (ele era fanático pelos Stones) atraía as mulheres de uma maneira inexplicável. Ele era feio pra cacete. O rosto pontiagudo. Olheiras tenebrosas. Desconjuntado, sem musculação alguma. Virilidade zero, como diriam os cultuadores de uma boa malhação.&lt;br /&gt;         As mulheres, porém, arrastavam-se aos seus pés. Feito loucas elas abandonavam os namorados, noivos e até maridos por sua causa. E Mike J. (pronuncia-se “Mike Jay”, conforme me disse um professor de inglês) nunca se preocupou em decifrar tal enigma. Apenas se divertia.&lt;br /&gt;         Algumas das suas incontáveis fãs peregrinavam pelo mundo afora até encontrá-lo, quieto, observando a sua coleção de discos, revistas e dicionários de rock. A foto do Jagger na parede, com aquela boca carnuda...&lt;br /&gt;         Loiras, morenas, pobres, ricaças, todas elas se molhavam por causa dele. E ele não tinha nada na vida. Vagabundo e sem estudo, diziam os seus detratores, todos belos rapazes de pouco menos de vinte anos. Mas Mike não passava uma só noite sem ter uma mulher diferente na sua cama.&lt;br /&gt;         Nem que fosse só para bater um bom papo, como ele mesmo dizia às garotinhas, que vinham perder a virgindade com o famoso quarentão de visual agressivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115556204304669639?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115556204304669639/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115556204304669639' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115556204304669639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115556204304669639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/08/o-visual-agressivo-de-mike.html' title='O visual agressivo de Mike'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115497247025158739</id><published>2006-08-07T10:38:00.000-07:00</published><updated>2006-08-07T10:41:10.253-07:00</updated><title type='text'>Mormaço</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;                                                                                                                                                &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;                                           &lt;br /&gt;         Eu nunca gostei de matar répteis. Aliás, acho que em toda a minha vida nunca cheguei a ter que matar algum.&lt;br /&gt;         Os grandes lagartos que surgiam famintos, após vários meses de hibernação, sempre provocaram a minha curiosidade e nunca o meu ódio.&lt;br /&gt;         Mesmo quando devoravam algum pinto, ou os ovos que as galinhas punham, displicentemente, em diversos pontos do imenso quintal.&lt;br /&gt;          Ao contrário, eu achava graça e admirava o seu poder de realizar tais incursões tão silenciosamente que quase beiravam ao sobrenatural.&lt;br /&gt;         Jamais pensei em dar um fim neles.&lt;br /&gt;         Preferia apenas observa-los em sua letargia por volta das três da tarde, sob um forte sol de verão.&lt;br /&gt;        E olhando aqueles lagartos impassíveis e imóveis, mas atentos a qualquer ruído ou a um gesto mais brusco, eu parecia realizar uma pequena investigação sobre os mistérios da natureza selvagem.&lt;br /&gt;         Descobri que os répteis me provocavam um sentimento estranho de cumplicidade e um estranho sabor agridoce na boca.&lt;br /&gt;         A minha descoberta ocorreu numa tarde de mormaço e coincidiu com o repentino endurecimento da minha pele e o surgimento de um pequeno e inexplicável apêndice na altura das minhas nádegas.          &lt;/div&gt;        Agora, só me restava aguardar a deformação da face e o alongamento da língua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115497247025158739?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115497247025158739/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115497247025158739' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115497247025158739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115497247025158739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/08/mormao.html' title='Mormaço'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115497209947503169</id><published>2006-08-07T10:33:00.000-07:00</published><updated>2006-08-07T10:34:59.490-07:00</updated><title type='text'>Releitura</title><content type='html'>Tem dias que a televisão está uma merda.&lt;br /&gt;         Pego um livro na estante. Releio novamente Rubem Fonseca ou Jorge Luis Borges. Faço isso sempre. Faz bem reler bons livros. Sempre existe uma frase, um parágrafo inteiro, que nos parece coisa nova. Talvez porque da primeira vez não chegamos a ler com a devida atenção.&lt;br /&gt;         Pego um livro de poesia. Não consigo reler poesia como releio prosa.&lt;br /&gt;         É uma coisa estranha não conseguir reler poesia. Poesia foi feita para se ler somente uma única vez. Depois, é bom jogar o livro pela janela. Algum poeta já disse isto antes?&lt;br /&gt;         Não sei, acho que inventei a frase agora.&lt;br /&gt;         Fecho o livro e fico rindo, solitário. A televisão está uma merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115497209947503169?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115497209947503169/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115497209947503169' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115497209947503169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115497209947503169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/08/releitura.html' title='Releitura'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115374517801164822</id><published>2006-07-24T05:38:00.000-07:00</published><updated>2006-07-24T05:46:18.023-07:00</updated><title type='text'>10 Poemas Anoréxicos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1º Lugar no Prêmio Nacional Carlos Drumond de Andrade de Poesia&lt;br /&gt;2002  -  Cidade de Ipatinga/MG&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Minúcias&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lobos bebem&lt;br /&gt;sangue quente&lt;br /&gt;de cordeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as fábulas&lt;br /&gt;nada dizem&lt;br /&gt;sobre o paladar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dos devoradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poemarinho&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;densos cardumes&lt;br /&gt;mar abstrato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;polvo hostil&lt;br /&gt;idioma tentacular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;água lâmina&lt;br /&gt;peixe espada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enguias lânguidas&lt;br /&gt;tubarões dissimulados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oceano&lt;br /&gt;grafia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Literatura&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;prosa experimental&lt;br /&gt;tradução de revólveres&lt;br /&gt;revolvendo linguagens&lt;br /&gt;fogo do inferno&lt;br /&gt;epístolas, animais urbanos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a fala névoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o poema nódoa&lt;br /&gt;arranjo de fúrias&lt;br /&gt;tribos urbanas&lt;br /&gt;bachianas.&lt;br /&gt;cidade espessa&lt;br /&gt;escura&lt;br /&gt;verbalizações armadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alerta aos incautos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cidade sobrevive&lt;br /&gt;da sua própria&lt;br /&gt;desconstrução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;erguendo altares&lt;br /&gt;sobre a geografia&lt;br /&gt;movediça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escribas pós - tudo&lt;br /&gt;fazem a releitura&lt;br /&gt;do texto urbano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na dissecação crua&lt;br /&gt;das sílabas / períodos&lt;br /&gt;néon &amp; sons&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;absolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cotidianos rebuscados&lt;br /&gt;traços. rascunhos.&lt;br /&gt;verbos. enigmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cidade se lê&lt;br /&gt;à margem&lt;br /&gt;do seu texto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;( Prêmio Especial do Júri de Melhor Poema – Ipatinga – 2002 )&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Mercado aberto&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;a barcaça do inferno&lt;br /&gt;faz escala&lt;br /&gt;no paraíso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;santos &amp; demônios&lt;br /&gt;apaziguados&lt;br /&gt;trocam mercadorias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;drogas chiques&lt;br /&gt;escravas brancas&lt;br /&gt;microchips.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Feira do futuro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esfinges modernas&lt;br /&gt;lançam enigmas&lt;br /&gt;em compact disc&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;édipos perplexos&lt;br /&gt;digitando códigos&lt;br /&gt;infrutíferos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são atirados&lt;br /&gt;nos precipícios&lt;br /&gt;da realidade virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referência para leitura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;vaqueiros&lt;br /&gt;no pasto&lt;br /&gt;seguem o mapa&lt;br /&gt;dos excrementos&lt;br /&gt;no infinito amarelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;boitempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limite&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a literatura&lt;br /&gt;não basta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ereções&lt;br /&gt;dolorosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;masturbação&lt;br /&gt;escrita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a literatura&lt;br /&gt;não é tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o seu púbis&lt;br /&gt;por exemplo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é xilogravura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Final dos tempos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eram seis da tarde&lt;br /&gt;quando o sino tocou&lt;br /&gt;e um sabiá longe&lt;br /&gt;repetiu&lt;br /&gt;piedade senhor&lt;br /&gt;chamando em vão&lt;br /&gt;uma chuva&lt;br /&gt;ácida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Restos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levo&lt;br /&gt;para o túmulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o cúmulo&lt;br /&gt;de um cadáver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;figuras de linguagem&lt;br /&gt;ironias&lt;br /&gt;&amp;&lt;br /&gt;algumas arrobas&lt;br /&gt;de lirismo.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115374517801164822?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115374517801164822/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115374517801164822' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115374517801164822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115374517801164822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/10-poemas-anorxicos.html' title='10 Poemas Anoréxicos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115350012496374117</id><published>2006-07-21T09:40:00.000-07:00</published><updated>2006-07-21T09:42:04.973-07:00</updated><title type='text'>O parceiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                                  Geraldo Magela&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um dia em que eu me peguei conversando com o revólver.&lt;br /&gt;- Você vai me ajudar num lance aí, eu disse.&lt;br /&gt;A arma ficou me olhando, segura na minha mão, silenciosa, brilhando de tão negra.&lt;br /&gt;Eu continuei.&lt;br /&gt;- Preciso de você para arrecadar uma grana que está me fazendo falta.&lt;br /&gt;E a arma continuava calada. Quem cala consente, né?&lt;br /&gt;Peguei o revólver e fui direto fazer um trabalhinho. Quando voltei, lá pelas tantas da madrugada, tinha um bom dinheiro no bolso. Tirei a arma de dentro da calça larga.&lt;br /&gt;- Aquele velho não devia ter reagido. Era só me passar o dinheiro e mais nada.&lt;br /&gt;E o revólver quieto.&lt;br /&gt;- Foi dar uma de herói, se fudeu...&lt;br /&gt;Fui dormir. Acordei lá pelo meio dia e saí, com o revólver escondido dentro da calça. Quando cheguei no meio de uma ponte deserta joguei a arma no rio poluído, depois de limpar o cabo com a camisa, cuidadosamente.&lt;br /&gt;- Os ácidos vão se encarregar do seu fim, eu pensei.&lt;br /&gt;Os parceiros mais calados são os piores. Podem nos entregar a qualquer momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115350012496374117?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115350012496374117/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115350012496374117' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115350012496374117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115350012496374117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/o-parceiro.html' title='O parceiro'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115342168369115666</id><published>2006-07-20T11:35:00.001-07:00</published><updated>2006-07-20T11:54:43.690-07:00</updated><title type='text'>Banho</title><content type='html'>o sol&lt;br /&gt;ponto&lt;br /&gt;vermelho&lt;br /&gt;na sua&lt;br /&gt;sensualidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sol&lt;br /&gt;entre suas&lt;br /&gt;pernas&lt;br /&gt;brancas&lt;br /&gt;mar vermelho&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115342168369115666?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115342168369115666/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115342168369115666' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115342168369115666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115342168369115666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/banho.html' title='Banho'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115342139091744550</id><published>2006-07-20T11:35:00.000-07:00</published><updated>2006-07-20T11:49:50.930-07:00</updated><title type='text'>Salivações</title><content type='html'>língua&lt;br /&gt;         letra&lt;br /&gt;paladar&lt;br /&gt;        produto&lt;br /&gt;lânguida&lt;br /&gt;        sílaba&lt;br /&gt;em&lt;br /&gt;       negrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115342139091744550?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115342139091744550/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115342139091744550' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115342139091744550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115342139091744550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/salivaes.html' title='Salivações'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115330786152388242</id><published>2006-07-19T04:15:00.000-07:00</published><updated>2006-07-19T04:17:41.533-07:00</updated><title type='text'>Remorso e perdão</title><content type='html'>- “Deus que me perdoe, mas vou ter que matar este sujeito”.&lt;br /&gt;O cara é religioso. Usa o nome de Deus toda hora em que faz um serviço sujo.&lt;br /&gt;Coisa estranha essa de misturar morte com pedido antecipado de perdão.&lt;br /&gt;Só ouvi um disparo seco. Certeiro. Na nuca, como ele gosta de executar suas vítimas. Sem sofrimento para ambas as partes.&lt;br /&gt;Ele se afasta do corpo caído na margem da estrada deserta.&lt;br /&gt;Gosta de matar ao ar livre, já me disse.&lt;br /&gt;Está calado. Parece fazer uma oração silenciosa.&lt;br /&gt;Coisa estranha essa de pistoleiro rezar. Mas eu é que não me meto, cada um sabe de si. Trabalhamos em dupla, matadores de aluguel, mas eu mesmo nunca matei ninguém. Só dou apoio moral, idéia dele, devido ao fato de eu ser um ex-seminarista.&lt;br /&gt;Daqui algumas horas ele vai sentir remorsos. Quer ver? É aí que eu entro, dizendo algumas palavras de consolo e os salmos apropriados.&lt;br /&gt;Depois eu o perdôo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!&lt;br /&gt;Apesar de não ser um assassino como ele, confesso que gosto de ver um sujeito ser morto. Assim, a queima roupa.&lt;br /&gt;Sem nenhum remorso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115330786152388242?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115330786152388242/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115330786152388242' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115330786152388242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115330786152388242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/remorso-e-perdo.html' title='Remorso e perdão'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115324200434540619</id><published>2006-07-18T09:58:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T10:00:04.363-07:00</updated><title type='text'>Mágoa</title><content type='html'>Mágoa.&lt;br /&gt;         É só isso o que você sente?&lt;br /&gt;         É.&lt;br /&gt;         Nossa, eu praticamente acabei com a sua vida e você apenas sente uma coisa assim, tão boba, mágoa...&lt;br /&gt;         O que mais eu deveria sentir?&lt;br /&gt;         Sei lá, rancor, ódio, sentimentos até normais no seu caso.&lt;br /&gt;         Ah, mágoa é um negócio tão doloroso quanto o ódio. Quando você sente mágoa, a coisa parece eterna, sabe. Parece que não vai nos deixar nunca e isso acaba afetando a pessoa que nos magoou, entende?&lt;br /&gt;         Estranho, é assim mesmo, tão profundo?&lt;br /&gt;         Claro. Você fala como se nunca tivesse sentido mágoa de nada, de ninguém...&lt;br /&gt;         Realmente, eu nunca senti mágoa de nada.&lt;br /&gt;         Esquisito, é a primeira pessoa que eu conheço que nunca sentiu nenhum tipo de mágoa na vida.&lt;br /&gt;         Mas você disse que esse tipo de sentimento acaba afetando a pessoa que o provocou. Por que eu não sinto nada disso?&lt;br /&gt;         Simplesmente porque ainda não chegou a hora certa.&lt;br /&gt;         E quando será a minha hora?&lt;br /&gt;         Não se preocupe, você vai saber quando chegar a hora. &lt;br /&gt;         Você está muito estranha mesmo. Tchau!        &lt;br /&gt;         Adeus, desgraçado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115324200434540619?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115324200434540619/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115324200434540619' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115324200434540619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115324200434540619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/mgoa.html' title='Mágoa'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115313618698632079</id><published>2006-07-17T04:35:00.000-07:00</published><updated>2006-07-17T04:36:26.996-07:00</updated><title type='text'>Féretro</title><content type='html'>Detesto ler anúncio de falecimento. Eu estava solitário no estúdio da emissora numa tarde de domingo, fazendo o programa de rádio mais tedioso da minha vida e havia acabado de tocar uma porcaria internacional. Coloquei no ar os comerciais. Foi quando ela apareceu. Estava de preto e tinha um lenço branco nas mãos. Era uma morena elegante, alta. Usava um vestido meio justo. Não reparei muito no seu rosto, a não ser nas olheiras, mas o corpo até que era bem interessante. Meio sensual, para uma espécie de viúva ainda fresca. Ela me entregou um papel amassado e balbuciou, chorosa:&lt;br /&gt;         Por favor, eu quero divulgar esta nota de falecimento.&lt;br /&gt;         Olhei para o manuscrito:&lt;br /&gt;         “A família de Hederaldo Gabriel Santos comunica o seu falecimento ocorrido na manhã de hoje e convida para o seu sepultamento às 17 horas, saindo o féretro da rua...”&lt;br /&gt;         Detesto a palavra féretro, eu disse, interrompendo, sem olhar para a possível viúva.&lt;br /&gt;         Eu também, mas é praxe, ela respondeu. &lt;br /&gt;         Praxe? Pô, até que ela tem uma linguagem legal, pensei.&lt;br /&gt;Continuei a ler o resto do texto:&lt;br /&gt;         “Comunicamos o falecimento de Hederaldo Gabriel dos Santos, conhecido como Aldo Garanhão...”&lt;br /&gt;         Garanhão?&lt;br /&gt;         Ele era mais conhecido pelo apelido, disse ela, contendo um riso curto.&lt;br /&gt;         O tom da sua voz era um tanto malicioso para uma viúva nova.&lt;br /&gt;         Era seu marido?&lt;br /&gt;         Mais ou menos, respondeu, novamente com a voz maliciosa.&lt;br /&gt;         Tudo bem, eu vou fazer a leitura da primeira chamada agora mesmo.&lt;br /&gt;         Eu posso ficar aqui dentro, ouvindo?&lt;br /&gt;         Claro, não tem problema.&lt;br /&gt;         Na hora certa comecei a ler o texto com voz comedida e séria como convém em anúncios de falecimento. Apenas diminui o tom na palavra féretro que, particularmente, eu detesto. Ela choramingou, baixinho, durante a leitura.&lt;br /&gt;            Acabei de ler a mensagem e coloquei um samba do Zeca Pagodinho. Ela saiu do estúdio, enxugando lágrimas quase invisíveis, depois de despedir-se educadamente.&lt;br /&gt;         O senhor poderia ler mais uma cinco vezes hoje? Amanhã eu acerto o valor na secretaria da rádio.&lt;br /&gt;         Tive a impressão de que ela saiu rebolando a sua bela bunda, como se estivesse acompanhando, discretamente, o ritmo delicioso do samba. O tédio de um domingo faz a gente imaginar coisas.&lt;br /&gt;         Cinco vezes?&lt;br /&gt;         Pô, féretro é uma palavra desgraçada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115313618698632079?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115313618698632079/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115313618698632079' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115313618698632079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115313618698632079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/fretro.html' title='Féretro'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115289727802814625</id><published>2006-07-14T10:12:00.000-07:00</published><updated>2006-07-14T10:14:38.050-07:00</updated><title type='text'>Gente boa</title><content type='html'>Ele surgiu do nada, na escuridão da rua deserta. Ágil feito um fantasma foi logo mostrando a lâmina.&lt;br /&gt;         Passa logo a grana!&lt;br /&gt;         Estou liso, não tenho dinheiro nem para a condução.&lt;br /&gt;         Puta que pariu, a vida tá ruim assim, irmãozinho?&lt;br /&gt;         Estou desempregado já faz um ano, meu.&lt;br /&gt;         Aqui, toma uns trocados e vê se te cuida, heim!&lt;br /&gt;         Valeu, você é gente fina, fico te devendo esta.&lt;br /&gt;         Fica nada. É bom a gente fazer uma caridade de vez em quando.&lt;br /&gt;         Legal, qual é o seu nome, amizade?&lt;br /&gt;         Pode me chamar de Robin. Tchau!&lt;br /&gt;         Tchau, Robin!&lt;br /&gt;         Do mesmo jeito que surgiu na minha frente, ele desapareceu na escuridão.Só deu para ver o brilho da sua lâmina.&lt;br /&gt;         Robin... eu fiquei pensando. Taí, bom nome para um ladrão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115289727802814625?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115289727802814625/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115289727802814625' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115289727802814625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115289727802814625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/gente-boa.html' title='Gente boa'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115279866826956553</id><published>2006-07-13T06:48:00.000-07:00</published><updated>2006-07-13T06:51:08.280-07:00</updated><title type='text'>Sentimento é uma coisa inexplicável</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                                                           Geraldo Magela&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Já matou padre?&lt;br /&gt;Acho que não.&lt;br /&gt;Poderia matar?&lt;br /&gt;Se tiver contrato, a gente mata.&lt;br /&gt;O serviço sai mais caro?&lt;br /&gt;Nada. O preço é o mesmo.&lt;br /&gt;Pensei que fosse mais caro.&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;Pensei que dependesse da situação.&lt;br /&gt;Que tipo de situação?&lt;br /&gt;Sei lá, algo que envolvesse um religioso fosse complicado.&lt;br /&gt;No meu caso, não.&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;Não me interessa profissão, sexo, religião, status, nada.&lt;br /&gt;Homem, mulher, criança, qualquer coisa?&lt;br /&gt;Se for gente, morre.&lt;br /&gt;Gente?&lt;br /&gt;É, só mato gente.&lt;br /&gt;Não mata animal?&lt;br /&gt;Nunca matei bicho nenhum na minha vida.&lt;br /&gt;Nem um frango?&lt;br /&gt;Nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Uai, nem aos domingos?&lt;br /&gt;Lá em casa quem matava frango era minha mãe.&lt;br /&gt;Sério?&lt;br /&gt;É, não gosto disso.&lt;br /&gt;Por que?&lt;br /&gt;Acho que tenho pena.&lt;br /&gt;Pena?&lt;br /&gt;Por que? Você acha que a gente não pode sentir pena também?&lt;br /&gt;Pode, claro.&lt;br /&gt;Morria de dó das galinhas degoladas.&lt;br /&gt;Você não teve pena das pessoas que despachou?&lt;br /&gt;Não, ali era trabalho.&lt;br /&gt;E qual é a diferença?&lt;br /&gt;Sou profissional, entende?         &lt;/div&gt;Entendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115279866826956553?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115279866826956553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115279866826956553' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115279866826956553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115279866826956553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/sentimento-uma-coisa-inexplicvel.html' title='Sentimento é uma coisa inexplicável'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115265346171994038</id><published>2006-07-11T14:28:00.000-07:00</published><updated>2006-07-11T14:31:01.730-07:00</updated><title type='text'>Fragmento do poema 2001 - Uma odisséia para Vânia</title><content type='html'>(...)  no espaço exterior&lt;br /&gt;as nossas línguas&lt;br /&gt;bocam-se.&lt;br /&gt;no espaço interior&lt;br /&gt;as nossas bocas&lt;br /&gt;linguam-se (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela / 1983&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115265346171994038?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115265346171994038/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115265346171994038' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115265346171994038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115265346171994038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/fragmento-do-poema-2001-uma-odissia.html' title='Fragmento do poema 2001 - Uma odisséia para Vânia'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115255483671842541</id><published>2006-07-10T11:04:00.000-07:00</published><updated>2006-07-10T11:07:16.733-07:00</updated><title type='text'>Home page mortal</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;                   O escritório do FBI no Brasil mandou, via internet, um recado curto e grosso. Eu recebi a mensagem na redação do jornal:  “havia um serial killer ( ou algo assim )  solto nas ruas da cidade ...” Só pode ser trote, disse eu, distraidamente, no Bar do Billy, tarde da noite. Mas alguém me retrucou.&lt;br /&gt;                  “É a mais pura verdade!”&lt;br /&gt;                  O cara era baixinho. Esquisitão.          &lt;br /&gt;                    “Se o FBI falou, pode escrever que é batata. Existe mesmo um desses pirados soltos por aí.”  Ele disse com tom de sabedoria policial&lt;br /&gt;                  Billy Paul, dono do bar, um negro esnobe, debochou:&lt;br /&gt;                  “Ôrra, meu, isto é pura fantasia. Por aqui só tem pé de chinelo. Este papo de psicopata-psicótico-maníaco-depressivo é coisa dos States, lá só tem maluco, do tipo nascidos para matar.” E deu uma gargalhada fodida na cara do baixinho.&lt;br /&gt;                  “Tá me chamando de mentiroso, ‘broder’?”&lt;br /&gt;                  Billy Paul... Não teve nem tempo de responder. Uma explosão, seguida de um urro. Segundos depois, o negão perfumado estava lá estendido, aos meus pés. Um rombo feio no peito. Sangue jorrando. O meu corpo tremia. O baixinho esquisito, “coisa dos States”, segurava uma baita espingarda de cano cerrado, fumegante:&lt;br /&gt;                  “O FBI falou, tá falado, meu irmão!”         Gritava, espumando, o psicótico-maníaco-depressivo, enquanto me olhava nos olhos. Só deu pra gaguejar aquele velho clichê:&lt;br /&gt;                  “Eu, eu, eu acredito em você! “&lt;br /&gt;         Ele sorriu satisfeito e desapareceu noite adentro. E eu jurei que nunca mais entraria na home page do escritório do FBI no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115255483671842541?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115255483671842541/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115255483671842541' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115255483671842541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115255483671842541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/home-page-mortal.html' title='Home page mortal'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115253622581937438</id><published>2006-07-10T05:52:00.000-07:00</published><updated>2006-07-10T05:57:05.833-07:00</updated><title type='text'>Jornalista poeta</title><content type='html'>Recebo, surpreso, poemas de autoria do amigo e jornalista Thiago Moreira, editor do blog Piolho de Cobra, que sempre confessou não sacar nada de poesia e que parecia não ter saco para tal exercício. Vai um dos textos que ele fez para a sua amada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LUA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depois de tanto caminhar&lt;br /&gt;no escuro&lt;br /&gt;sem saber o que procurava surge então desconhecida&lt;br /&gt;indecifrável, pequena mulher&lt;br /&gt;Sabe-se lá o motivo&lt;br /&gt;será inconsciência, providência?&lt;br /&gt;A dúvida é intensa e permanente&lt;br /&gt;Mas o prazer é compensador&lt;br /&gt;É como uma chama que acende do nada&lt;br /&gt;e aumenta a cada brasa que se queima.&lt;br /&gt;Ora, infringiu meus ideais&lt;br /&gt;e compartilha de meu presente e futuro&lt;br /&gt;destrói o passado.&lt;br /&gt;Compensador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;By Thiago Moreira/2006&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115253622581937438?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115253622581937438/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115253622581937438' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115253622581937438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115253622581937438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/jornalista-poeta.html' title='Jornalista poeta'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115211984887023778</id><published>2006-07-05T10:16:00.000-07:00</published><updated>2006-07-05T10:17:28.880-07:00</updated><title type='text'>Limite</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;a literatura não basta. a literatura não é tudo. o seu púbis, por exemplo, é xilogravura.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115211984887023778?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115211984887023778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115211984887023778' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115211984887023778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115211984887023778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/limite.html' title='Limite'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115201210714460496</id><published>2006-07-04T04:20:00.000-07:00</published><updated>2006-07-04T04:21:47.153-07:00</updated><title type='text'>Bissexto</title><content type='html'>Você é um escritor improdutivo, faz tempo que não escreve uma linha, eu falei.&lt;br /&gt;         Bobagem, ele disse. As minhas criações estão aqui, na memória. Na hora certa eu escrevo o que for interessante.&lt;br /&gt;         Como é que alguém pode carregar tanta coisa na cabeça e elas permanecerem intactas, sem nenhuma intervenção ou adulteração, eu lhe indaguei.&lt;br /&gt;         Ele riu. Ah, de vez em quando uma mulher bonita ou algumas contas para pagar atravessam uma ou outra narrativa, mas tudo bem, sempre dá para garantir o conteúdo.&lt;br /&gt;         E ficou lá, batucando o teclado do computador desligado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115201210714460496?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115201210714460496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115201210714460496' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115201210714460496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115201210714460496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/07/bissexto.html' title='Bissexto'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115158393741937347</id><published>2006-06-29T05:09:00.001-07:00</published><updated>2006-06-29T05:25:37.420-07:00</updated><title type='text'>Mercado aberto</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                        Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a barcaça do inferno&lt;br /&gt;faz escala&lt;br /&gt;no paraíso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;santos &amp; demônios&lt;br /&gt;apaziguados&lt;br /&gt;trocam mercadorias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;drogas chiques&lt;br /&gt;escravas brancas&lt;br /&gt;microchips.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115158393741937347?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115158393741937347/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115158393741937347' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115158393741937347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115158393741937347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/mercado-aberto.html' title='Mercado aberto'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115158365966578195</id><published>2006-06-29T05:09:00.000-07:00</published><updated>2006-06-29T05:20:59.676-07:00</updated><title type='text'>M.</title><content type='html'>O pintor desconhecido que, secretamente, retratava cadáveres no necrotério público vendeu toda a sua coleção por um ótimo preço na mostra de arte contemporânea promovida por Madame Blath. No salão, o maior burburinho: “ O trabalho dele é meio mórbido, mas é fantástico. Quem serão estes rostos incríveis?” “Quem serão seus modelos? Dizem que ele não conta para ninguém...” “São pessoas anônimas, talvez marginais, delinqüentes mesmo, quem vai saber?”&lt;br /&gt;                  Madame Blath, mecenas incorrigível, sempre teve um faro incrível para descobrir novos talentos nas artes visuais. Além de lançá-los, ela conseguia a façanha de vender as suas obras num mercado recessivo e sempre fechado aos  artistas “novos”. Foi o que aconteceu com o pintor de cadáveres nada ilustres.&lt;br /&gt;                  O pintor, que assinava simplesmente utilizando uma letra M e um ponto negro, pintava os seus quadros na madrugada, depois de corromper os vigias do necrotério, onde os corpos dos indigentes aguardavam um destino cruel. Uma vala comum ou a Faculdade de Medicina.&lt;br /&gt;                    “Vou imortalizá-los”, dizia o pintor, em transe, enquanto retratava os mortos anônimos como se estivesse cumprindo um juramento maldito.&lt;br /&gt;                  Dizem que quando Madame Blath morreu, o pintor, seu protegido, invadiu o velório e fez o retrato dela em questão de minutos. Um marchand, presente à cerimônia fúnebre, não hesitou em comprar a obra no mesmo instante.&lt;br /&gt;                  “A arte, como a morte, não tem hora”, teria dito o comerciante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115158365966578195?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115158365966578195/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115158365966578195' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115158365966578195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115158365966578195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/m.html' title='M.'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115149234571715532</id><published>2006-06-28T03:58:00.000-07:00</published><updated>2006-06-28T03:59:05.726-07:00</updated><title type='text'>Aurélio</title><content type='html'>O cara era torpe. É, só isso, torpe. Ele não era tudo isso que os jornais estão falando. Não era um superbandido coisa nenhuma. Pé de chinelo. Pode acreditar. O que significa torpe? Então você não sabe o que é torpe?  Porra, cara, você fugiu da escola, é burro, ou o quê? A palavra torpe está em todos os contos e histórias policiais. Faz parte da linguagem dos escritores... Ah, você nem sabe o que é linguagem e está cagando para a linguagem? Você é um ignorante mesmo, cara. Não, eu não sei de tudo, quem me dera ser um desses sabichões que dão aula pra todo mundo em qualquer lugar do planeta. Eu sou apenas um cara curioso que gosta de saber os significados das palavras, só isso. Olha aqui no meu mini-Aurélio: torpe quer dizer “desonesto, impudico, repugnante, infame, obsceno”, pode escolher o adjetivo que você achar melhor. O quê, você nem sabe o que um adjetivo? Porra, é o fim da picada. Ah, você quer saber se eu carrego um dicionário comigo pra todo canto? Carrego sim, e daí? Frescura? Ah, cara, vai tomar no seu rabo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115149234571715532?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115149234571715532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115149234571715532' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115149234571715532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115149234571715532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/aurlio.html' title='Aurélio'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115132120518366858</id><published>2006-06-26T04:25:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T04:26:45.186-07:00</updated><title type='text'>Contrastes</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;                                                                                                   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que há com você?&lt;br /&gt;Nada, estou tranqüilo.&lt;br /&gt;Não parece. Precisa manter o sangue frio, certo?&lt;br /&gt;Estou bem, juro!&lt;br /&gt;Sei, não. Você está pálido, sem cor, suando muito. Acha que dá para agüentar até o fim?&lt;br /&gt;Claro, estou legal. Fica frio, assim você está me deixando nervoso.&lt;br /&gt;Assim como?&lt;br /&gt;Falando demais. Gosto de fazer as coisas em silêncio.&lt;br /&gt;Silêncio?&lt;br /&gt;É, silêncio absoluto.&lt;br /&gt;Impossível, tem sempre o barulhinho da serra e dos outros instrumentos.&lt;br /&gt;Bom, pelo menos se a gente ficar calado...&lt;br /&gt;Eu gosto de falar. O silêncio não me deixa muito tranqüilo.&lt;br /&gt;Cada um pensa de um jeito, né? Eu já prefiro o ambiente silencioso, fechado.&lt;br /&gt;Eu já gosto de janelas bem abertas, escancaradas.&lt;br /&gt;É, as pessoas são mesmo diferentes.&lt;br /&gt;Depende, em certas coisas elas podem ser muito parecidas.&lt;br /&gt;Em quê, por exemplo?&lt;br /&gt;Sei lá, mas as coincidências existem. Eu gosto de mulher morena, e você?&lt;br /&gt;Eu também. As morenas me excitam.&lt;br /&gt;Está vendo, em matéria de mulher temos a mesma preferência.&lt;br /&gt;Mas eu prefiro aquelas que têm a pele mais escura e usam cabelos oxigenados.&lt;br /&gt;As chamadas loiras falsas?&lt;br /&gt;Exatamente.&lt;br /&gt;Não, eu já prefiro as de pele mais clara, com cabelo preto. O contraste me dá tesão.&lt;br /&gt;Contraste?&lt;br /&gt;Se você prefere as morenas escuras com cabelo loiro é por causa do contraste, rapaz. O contraste é uma coisa fundamental, principalmente no corpo feminino.&lt;br /&gt;Interessante, eu nunca havia levado a coisa por este lado.&lt;br /&gt;Pois de agora em diante comece a levar.&lt;br /&gt;Ainda bem que trouxemos as capas de plástico. Estamos cobertos de sangue.&lt;br /&gt;Foi uma boa providência, digna de profissionais. Pronto, agora vamos fechar o saco e levar para a cova.&lt;br /&gt;E esta dona aí, era morena clara e de cabelo preto...&lt;br /&gt;E daí?&lt;br /&gt;Deu algum tesão?&lt;br /&gt;Claro, senão eu não topava fazer o serviço. Para matar uma mulher, a gente tem que estar com o tesão à flor da pele.&lt;br /&gt;E para esquartejar o corpo?&lt;br /&gt;Também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115132120518366858?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115132120518366858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115132120518366858' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115132120518366858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115132120518366858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/contrastes.html' title='Contrastes'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115132104794151458</id><published>2006-06-26T04:17:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T04:25:00.670-07:00</updated><title type='text'>Contos</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(...) Eu estava de pé na varanda, olhando para o vazio, naquele final de tarde nada sensual. Um vento seco machucava meu rosto. Havia algo de fantástico naquele cenário desértico. Olhei novamente para o por de sol sangrento e senti em minha nuca o inesperado hálito de um demônio.(...)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fragmento do diário secreto de Birdes Fontaine, escritor e matador.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115132104794151458?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115132104794151458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115132104794151458' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115132104794151458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115132104794151458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/contos.html' title='Contos'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-115080702778115994</id><published>2006-06-20T05:36:00.000-07:00</published><updated>2006-06-20T05:37:07.796-07:00</updated><title type='text'>Hai Kai Homenagem</title><content type='html'>Com tanto político sujo&lt;br /&gt;botando na nossa bunda,&lt;br /&gt;Deus levou logo o Bussunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Geraldo Magela / 2006&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-115080702778115994?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/115080702778115994/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=115080702778115994' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115080702778115994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/115080702778115994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/hai-kai-homenagem.html' title='Hai Kai Homenagem'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-114985260280362305</id><published>2006-06-09T04:27:00.000-07:00</published><updated>2006-06-09T04:30:02.813-07:00</updated><title type='text'>Encontros Virtuais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;                                                                                                                                                                                            Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sobe o pano. Uma mulher olha para o céu e abre a sua sombrinha como se começasse a chover. Fica lá, batendo o pezinho, impaciente, olhando o relógio como se estivesse esperando alguém. Chega um homem. Ele também olha para o céu e abre um guarda-chuva.. Fica parado, batendo o pé, olhando o relógio, como se estivesse esperando alguém. De repente, eles se olham. Continuam impacientes.&lt;br /&gt;Homem  -  Chuvinha mais besta, né?&lt;br /&gt;Mulher  -   É...&lt;br /&gt;Homem – Desculpe a intromissão, mas você me parece um pouco nervosa.&lt;br /&gt;Mulher  -  E não é para ficar nervosa? Odeio atrasos.&lt;br /&gt;Homem -  Eu também. Detesto gente que se atrasa.&lt;br /&gt;Mulher  -  Pois é, mas essas pessoas me perseguem.&lt;br /&gt;Homem - Também sofro com elas. Sempre marcam comigo e demoram, demoram...&lt;br /&gt;Mulher  -  Comigo acontece quase sempre.&lt;br /&gt;Homem -  Eu fico muito irritado quando isso acontece.&lt;br /&gt;Mulher  -  Eu também.&lt;br /&gt;Os dois colocam os braços para fora do guarda-chuva e da sombrinha. Em seguida, fecham ambos, como se tivesse parado de chover.&lt;br /&gt;Homem – Parou de chuviscar.&lt;br /&gt;Mulher  -  Ainda bem, não suporto chuva.&lt;br /&gt;Homem – Posso perguntar quem você está esperando todo esse tempo?&lt;br /&gt;Mulher  -  Não sei, não conheço, quer dizer, só conheço pelo MSN.&lt;br /&gt;Homem -  Ah, um contato pela internet? Um encontro virtual?&lt;br /&gt;Mulher  -  Sim, por que? O senhor tem alguma coisa contra encontros via internet?&lt;br /&gt;Homem - Não, não, longe de mim. Sou viciado em internet. Já tive não sei quantos contatos virtuais com mulheres bem interessantes.&lt;br /&gt;Mulher  -  E eu com homens muito interessantes.&lt;br /&gt;Homem -  Meu Deus, agora estou me lembrando. Você deve ser a Marlete.&lt;br /&gt;Mulher  -  Sim, sou eu. E você, quem é?&lt;br /&gt;Homem -  Eu sou o Vander.&lt;br /&gt;Mulher  -  Oh, meu Deus, então você é justamente quem eu conheci pela rede...&lt;br /&gt;Homem – Que coincidência, não? Nós dois, aqui, conversando sobre encontros virtuais.&lt;br /&gt;Mulher - Sim, mas este acabou sendo um encontro casual, pois se bem me recordo nós marcamos um encontro para amanhã, às três da tarde e não hoje, às cinco.&lt;br /&gt;Homem -  É, você tem razão.&lt;br /&gt;Mulher  -  Mas, então, o que é que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;Homem -  Bem, estou esperando a Vandete.&lt;br /&gt;Mulher – Quem é Vandete?&lt;br /&gt;Homem – Ora, o meu segundo contato virtual da semana. E você, está esperando quem?&lt;br /&gt;Mulher  -  Eu também estou esperando o meu segundo contato da semana, o Marlen.&lt;br /&gt;Homem - Seguro morreu de velho, heim?&lt;br /&gt;Mulher -   Se é, nem me fale.&lt;br /&gt;Homem – Espero que amanhã você não se atrase como esse tal de Marlen.&lt;br /&gt;Mulher - E eu, espero que você também não se atrase, como essa tal de Vandete.&lt;br /&gt;Ambos olham para o céu, novamente. Abrem depressa o guarda-chuva e a sombrinha como se começasse a chover novamente. Ficam batendo o pé, olhando o relógio, impacientes. Cai o pano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-114985260280362305?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/114985260280362305/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=114985260280362305' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114985260280362305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114985260280362305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/encontros-virtuais.html' title='Encontros Virtuais'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-114959300472873677</id><published>2006-06-06T04:18:00.000-07:00</published><updated>2006-06-06T04:23:24.743-07:00</updated><title type='text'>Os falsos profetas do escritor fracassado Beraldo Bezerra</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Geraldo Magela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Beraldo Bezerra morreu em uma tarde fria e cinzenta de junho, no ano de 1888, pouco lembrado pelos críticos e nem um pouco notado pelos leitores mais exigentes. Foi um escritor medíocre, é verdade, mas tinha estilo, conforme atestou mais tarde em sua lápide o pesquisador e descobridor de talentos H.W da Silveira em 1907. O abnegado Silveira, após remexer os entulhos de manuscritos deixados por Bezerra, e desprezados pelos parentes mais próximos, descobriu no meio de um monte de escritos e narrativas imprestáveis algo que lhe deixou bastante excitado. Uma narrativa intitulada “Os falsos profetas”, que mesclava fatos da história humana com picaretagens diversas praticadas por alguns personagens, que poderiam realmente ter existido, ou não. Além de curiosas, essas narrativas eram bastante divertidas e possuíam uma dose de ironia que impressionou o incansável pesquisador, que as divulgou sob a forma de um livreto. O livreto foi descoberto em um sebo por Birdes Fontaine, pseudônimo à procura de um autor, que nas linhas abaixo dá ciência do fato aos nobres membros da presente banca examinadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ &lt;em&gt;Os falsos profetas, creio eu, foram apenas oito em toda a extensão da humanidade&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dico Zunindo, 910 – 1010.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dico Zunindo viveu exatos 100 anos e foi o mais rebelde dos profetas, optando por contrariar as sagradas escrituras invisíveis e preferindo viver entre os povos bárbaros que habitavam as planícies da Alta Mongólia.&lt;br /&gt;Dico levava uma vida desregrada. Participava dos combates sangrentos entre as tribos bárbaras, matando e saqueando sem nenhum escrúpulo. Possuía um harém de cinquenta esposas e cinquenta amantes. O número 50 para ele era sagrado. Tanto que construiu cinquenta ídolos de barro e os espalhou pelas imensas planícies da sua terra.&lt;br /&gt;Todos os ídolos tinham a sua fisionomia, pois ele se considerava, não apenas um profeta, mas sim uma espécie de deus. Apesar dos seus delírios passou a  velhice pregando para os seus netos sobre a existência de um semideus, que teria morrido numa cruz.&lt;br /&gt;Ao falar da cruz, ele sempre desembainhava as suas duas espadas ainda manchadas de um sangue antigo e as cruzava, numa espécie de desenho gótico, berrando palavras incompreensíveis. As crianças riam muito e ele então dormia feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ypsolum, 1277 – 1297.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;            O profeta Ypsolum aproveitou pouco a sua vida terrena.&lt;br /&gt;Segundo as antigas escrituras, nunca confirmadas pela Igreja Oficial, ele morreu com tenros e puros 20 anos atravessado pelas impiedosas espadas dos infiéis quando tentava roubar na antiga Jerusalém uma réplica do Santo Graal , durante uma das suas peregrinações.&lt;br /&gt;Conforme as suas visões de homem santo, a mencionada réplica seria a mais perfeita e a mais “verdadeira” de todas as centenas de perdoáveis falsificações do cálice sagrado espalhadas pelo mundo conhecido.&lt;br /&gt;Ypsolum morreu casto e imaculado. Não chegou a se deitar com nenhuma mulher. Por isso, logo após o seu enterro, algumas mulheres vestidas somente com uma tira de pano negro e com as faces cobertas por véus violaram o seu túmulo e deceparam o seu órgão genital virgem.&lt;br /&gt;           Embalsamaram-no utilizando essências aromáticas e o guardaram em local tão secreto que jamais foi encontrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Beto Belezura, 1300 – 1600.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;            Profeta sem pátria, sem eira nem beira, Beto Belezura viveu no auge das Grandes Navegações. Possuía uma temida caravela, denominada de Ave de Rapina dos Mares Desconhecidos, armada com cem canhões, que ele utilizava para transportar escravos aprisionados ou comprados nas ilhas distantes localizadas no Continente Negro.&lt;br /&gt;            Depois de enfrentar tempestades terríveis e os navios piratas que infestavam os mares, ele despejava os seus escravos numa ilhota pequena localizada no Mar dos Destinos Perdidos, na costa norte, onde ele erguera um templo sinistro, que possuía um gigantesco altar de sacrifícios, onde milhares de homens e mulheres foram imolados a um deus do qual nunca ouviram falar.&lt;br /&gt; Belezura era um guerreiro destemido e audaz que viveu por três séculos. Os povos antigos contavam que a cada cem anos ele trocava de pele, igual às serpentes. Daí o segredo do seu rejuvenescimento. Apesar da sua fama de belicoso, era um homem atraente. Possuía dezenas de escravas sexuais, todas elas negras e belas, escolhidas a dedo para satisfazer os seus desejos.&lt;br /&gt; Conseguira o título de profeta depois de ter profetizado que o mundo passaria por um período de cem anos de fome, miséria e de peste. Tal profecia nunca foi testemunhada por ninguém, mas não havia nenhum louco vivo para desmentir o sanguinário e falso profeta.&lt;br /&gt;            Dizem as lendas que ele foi morto a machadadas por um escravo rebelde quando se preparava para se hibernar e trocar de pele pela quarta vez.&lt;br /&gt;Do contrário, teria atravessado os séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Delirado, 333 – 337&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O profeta Delirado, segundo as antigas escrituras jamais encontradas por algum ser mortal, mas que foram devidamente decoradas por Zé do Pastéu, poeta errante que atravessara os sete desertos da  antiga África cantando as suas canções incompreensíveis, viveu somente quatro anos mortais. Isto, na literatura dos pagãos, significava pelo menos uns quarenta anos metafísicos. Mas em apenas quatro anos mortais ninguém conseguiria mesmo fazer nada de realmente útil e concreto. Apenas delirar.&lt;br /&gt;E foi o que ocorreu com este pobre e anônimo profeta precoce, que morreu de uma febre terrível que o fez delirar durante quarenta dias e quarenta noites. Durante todo este período, o profeta balbuciou palavras estranhas e ao dar o seu último suspiro repetiu por várias vezes:&lt;br /&gt;-         O deserto, o deserto, o deserto...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Zé Confuso, 612 – 700&lt;/strong&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este talvez tenha sido o mais esquisito de todos os santos homens da velha terra. Em todos os pergaminhos encontrados pelos arqueólogos e pesquisadores ingleses nas gigantescas pirâmides circulares do deserto de Io, as referências a esse sacerdote eram simplesmente confusas.&lt;br /&gt;Num sarcófago modesto, a múmia de Zé Confuso descansou em paz durante séculos, até ser encontrada por um estagiário curioso que penetrou nos subterrâneos de uma das pirâmides para dar uma transadinha rápida com uma das assistentes da equipe de arqueologia da Universidade de Hera.&lt;br /&gt;No sarcófago estavam diversas inscrições que, após serem traduzidas, resultaram em uma conhecida história confusa e que provocou diversas dúvidas a respeito da sua autenticidade entre os pesquisadores.&lt;br /&gt;Com um grupo de historiadores defendendo a sua autenticidade e outro grupo de cientistas afirmando que tudo aquilo não passava de um blefe egípcio, a coisa esquentou e virou uma guerra.&lt;br /&gt;Após profundos e morrinhentos debates, teses sonolentas e pinimbas das mais variadas espécies, o sarcófago de Zé Confuso foi lacrado definitivamente pela Vigilância Sanitária e não se falou nunca mais naquela confusa descoberta, fruto de um acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zacarias Iscariol, 1600 – 1689&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zaccarias Iscariol foi o principal tradutor das sagradas escrituras invisíveis, que só quem possuía o coração puro e a alma santificada tinha condições de enxergar.Ele usava um manto esfarrapado e um lenço sujo cobrindo os ralos fios de cabelo branco e atravessava os desertos do norte africano apoiado em seu cajado em forma de serpente com olhos de rubi.&lt;br /&gt;Excomungado e expulso pela Igreja Ortodoxa, ele vagava cegamente pelo mundo levando os ensinamentos sagrados para os nômades e beduínos, bandoleiros e saqueadores de templos pagãos soterrados pela areia cruel do deserto. Todos eles seres amaldiçoados, assim como o pobre profeta.&lt;br /&gt;Quando Zaccarias Iscariol bateu as botas, debaixo de uma tenda feita de molambos, após uma refeição de tâmaras e uma tempestade de areia, os nômades juraram que viram surgir, entre relâmpagos rápidos, uma luminosa mão que executou uma série de gestos indescritíveis no firmamento.&lt;br /&gt;Quando souberam do acontecido, três sábios do Oriente Distante peregrinaram pelo deserto e, bondosamente, embalsamaram o corpo do profeta maldito e o enterraram no deserto, dirigindo seus olhares piedosos para o céu infinitamente azul e dizendo:&lt;br /&gt;-         Em verdade, em verdade, vos digo, este homem era filho de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Baby da Babilõnia, data desconhecida&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única profetiza reconhecida pela história negra foi a enigmática e, segundo os pergaminhos secretos, mortalmente sedutora, Baby da Babilônia. Fêmea fatal, dotada dos instintos mais selvagens, Baby chegou a ser considerada por alguns historiadores anônimos como uma mulher capaz de cometer atos terríveis, como o canibalismo.&lt;br /&gt;Ela teria, inclusive, certa preferência por genitais masculinos fritos, grelhados, ou cozidos com legumes. Toda vez que a profetiza capturava um espécime do sexo masculino em suas muitas batalhas empreendidas contra as tribos selvagens que habitavam as Grandes Colinas, ela chegava a apalpar com carinho desmedido a volumosa genitália do macho escravizado.&lt;br /&gt;Seus olhos brilhavam um brilho intenso, num misto de crueldade e gula, enquanto o pênis acariciado com tanta má intenção crescia assustadoramente na sua pequenina e sangrenta mão branca.&lt;br /&gt;“Hoje teremos um banquete especial”, festejavam os generais do seu imenso exército de fanáticos seguidores que não comiam carne humana, é certo, mas que gostavam de se masturbar assistindo sua profetiza devorar gordos testículos de guerreiros mortos.&lt;br /&gt;Baby teria sido morta em uma batalha, mas o seu corpo jamais chegou a ser encontrado. Depois disto, seus guerreiros se dispersaram e tornaram-se pastores no Egito Antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abdias Bitola, 1100 - 1201&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abdias Bitola foi um ermitão idiota e mesquinho que habitou as montanhas intransponíveis e a árida terra do hoje Turcomenistão. Não tinha discípulos, nem mulheres e muito menos filhos ou parentes que o acompanhassem. Ninguém suportava viver ao seu lado por mais de alguns minutos. Ele era simplesmente odioso.&lt;br /&gt;Segundo os manuscritos encontrados às margens do Mar da China, ele viveu odiado e desprezado pelos seus discípulos durante 101 anos.&lt;br /&gt;Morreu depois de jejuar trinta dias e trinta noites sem dizer o motivo do sacrifício.&lt;br /&gt;A última de suas muitas bobagens, disseram os seus contemporâneos desrespeitosos ao deixarem o seu corpo apodrecer solitário no deserto.&lt;br /&gt;Diz a lenda que nem mesmo os abutres e os ratos quiseram devorar a sua carcaça imunda.”&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-114959300472873677?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/114959300472873677/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=114959300472873677' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114959300472873677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114959300472873677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/06/os-falsos-profetas-do-escritor.html' title='Os falsos profetas do escritor fracassado Beraldo Bezerra'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-114898791653596856</id><published>2006-05-30T04:16:00.000-07:00</published><updated>2006-05-30T04:18:36.543-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1026/3072/1600/Signos.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1026/3072/320/Signos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-114898791653596856?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/114898791653596856/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=114898791653596856' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114898791653596856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114898791653596856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-114892352414059855</id><published>2006-05-29T10:14:00.000-07:00</published><updated>2006-05-29T10:25:24.150-07:00</updated><title type='text'>Onze</title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oração barroca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;anjo torto&lt;br /&gt;caído&lt;br /&gt;de um&lt;br /&gt;céu&lt;br /&gt;barroco&lt;br /&gt;rogai por&lt;br /&gt;nós&lt;br /&gt;pecadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;anjo morto&lt;br /&gt;caído&lt;br /&gt;de um&lt;br /&gt;teto&lt;br /&gt;barroco&lt;br /&gt;rogai por&lt;br /&gt;nós&lt;br /&gt;pecadores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando retornares&lt;br /&gt;para a&lt;br /&gt;casa&lt;br /&gt;do teu&lt;br /&gt;criador&lt;br /&gt;barroco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Imitação de um ambiente de Poe&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;após aquela&lt;br /&gt;noite&lt;br /&gt;densa&lt;br /&gt;quando&lt;br /&gt;a morte&lt;br /&gt;revelou&lt;br /&gt;perturbação&lt;br /&gt;e calmaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as noites&lt;br /&gt;nunca mais&lt;br /&gt;teceram&lt;br /&gt;a mesma&lt;br /&gt;malha&lt;br /&gt;a mesma&lt;br /&gt;rede&lt;br /&gt;os mesmos&lt;br /&gt;labirintos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as noites&lt;br /&gt;nunca mais&lt;br /&gt;exibiram&lt;br /&gt;os mesmos&lt;br /&gt;líquidos&lt;br /&gt;as mesmas&lt;br /&gt;lâminas&lt;br /&gt;os mesmos&lt;br /&gt;aromas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apenas&lt;br /&gt;os corvos&lt;br /&gt;desenhariam&lt;br /&gt;sombras&lt;br /&gt;iguais&lt;br /&gt;se aqui&lt;br /&gt;fosse a&lt;br /&gt;Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Duelo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;cerro meus&lt;br /&gt;olhos&lt;br /&gt;lentes inócuas&lt;br /&gt;frente&lt;br /&gt;ao chip ocular&lt;br /&gt;do robot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;armo meus&lt;br /&gt;braços&lt;br /&gt;membros ingênuos&lt;br /&gt;contra&lt;br /&gt;a biomecânica&lt;br /&gt;do robot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vasculho meu&lt;br /&gt;cérebro&lt;br /&gt;máquina obsoleta&lt;br /&gt;contra&lt;br /&gt;o supercomputador&lt;br /&gt;do robot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apelo ao&lt;br /&gt;coração&lt;br /&gt;bomba emperrada&lt;br /&gt;frente&lt;br /&gt;ao músculo digital&lt;br /&gt;do robot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saco meu&lt;br /&gt;colt cult&lt;br /&gt;antes de&lt;br /&gt;tombar&lt;br /&gt;romanticamente&lt;br /&gt;aos pés do robot.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Inominável&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;com um&lt;br /&gt;diamante&lt;br /&gt;escrevo&lt;br /&gt;no vidro&lt;br /&gt;um nome&lt;br /&gt;suave&lt;br /&gt;que provoca&lt;br /&gt;fúria&lt;br /&gt;no invisível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do fogo na areia&lt;br /&gt;invento&lt;br /&gt;uma frase&lt;br /&gt;que traz&lt;br /&gt;no corpo vítreo&lt;br /&gt;um nome&lt;br /&gt;simples&lt;br /&gt;que provoca&lt;br /&gt;discórdia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desenho&lt;br /&gt;com carvão&lt;br /&gt;nos confins&lt;br /&gt;do mundo&lt;br /&gt;sem alfabeto&lt;br /&gt;os signos&lt;br /&gt;de um&lt;br /&gt;nome&lt;br /&gt;incompreensível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desacordado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou morto&lt;br /&gt;mas ninguém&lt;br /&gt;vem me&lt;br /&gt;acordar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pareço cumprir&lt;br /&gt;uma sina&lt;br /&gt;ou maldição&lt;br /&gt;mitológica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devo estar&lt;br /&gt;assim&lt;br /&gt;morto&lt;br /&gt;há milênios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem sangue&lt;br /&gt;musculatura&lt;br /&gt;o coração&lt;br /&gt;desfibrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;emparedado&lt;br /&gt;na ausência&lt;br /&gt;elástica&lt;br /&gt;do vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem trombetas&lt;br /&gt;de anjos&lt;br /&gt;nem fogo&lt;br /&gt;de demônios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem vigílias&lt;br /&gt;homenagens&lt;br /&gt;carpideiras&lt;br /&gt;ou Cérbero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tampouco&lt;br /&gt;o barqueiro&lt;br /&gt;do rio eterno&lt;br /&gt;para me levar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só o impossível&lt;br /&gt;vem rondar&lt;br /&gt;o meu cadáver&lt;br /&gt;sonâmbulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o inatingível&lt;br /&gt;ainda quer&lt;br /&gt;impor&lt;br /&gt;seu espanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não mais&lt;br /&gt;existo&lt;br /&gt;estou morto&lt;br /&gt;desacordado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas ainda&lt;br /&gt;busco&lt;br /&gt;no silêncio&lt;br /&gt;volumoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na boca&lt;br /&gt;invisível&lt;br /&gt;uma maldita&lt;br /&gt;palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Siberiana&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no deserto&lt;br /&gt;de um&lt;br /&gt;branco&lt;br /&gt;imenso&lt;br /&gt;o gelo&lt;br /&gt;de um&lt;br /&gt;azul&lt;br /&gt;geométrico&lt;br /&gt;feito de&lt;br /&gt;lâminas&lt;br /&gt;cubistas&lt;br /&gt;confunde-se&lt;br /&gt;com um&lt;br /&gt;céu&lt;br /&gt;inesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Compensações humanas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assassinos&lt;br /&gt;não pedem&lt;br /&gt;misericórdia&lt;br /&gt;não choram&lt;br /&gt;ou clamam&lt;br /&gt;pelo perdão&lt;br /&gt;na hora&lt;br /&gt;de morrer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assassinos&lt;br /&gt;têm&lt;br /&gt;o sangue&lt;br /&gt;muito frio&lt;br /&gt;mas são&lt;br /&gt;seres&lt;br /&gt;sentimentais&lt;br /&gt;também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eles gostam&lt;br /&gt;de ouvir&lt;br /&gt;choro&lt;br /&gt;perdão&lt;br /&gt;e pedidos&lt;br /&gt;de misericórdia&lt;br /&gt;na hora&lt;br /&gt;de matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Refratário&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;espelho          (complexo)&lt;br /&gt;espelho&lt;br /&gt;meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me&lt;br /&gt;diga&lt;br /&gt;se existir&lt;br /&gt;reflexo          (espelho)&lt;br /&gt;mais&lt;br /&gt;complexo&lt;br /&gt;que o&lt;br /&gt;meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;reflexo          (complexo)&lt;br /&gt;reflexo&lt;br /&gt;meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me&lt;br /&gt;mostre&lt;br /&gt;se existir&lt;br /&gt;espelho          (reflexo)&lt;br /&gt;mais&lt;br /&gt;complexo&lt;br /&gt;que o&lt;br /&gt;meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tambores santos do Congo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nossa senhora do rosário&lt;br /&gt;dos homens pretos&lt;br /&gt;do Recife&lt;br /&gt;nossa senhora do rosário&lt;br /&gt;dos homens pardos&lt;br /&gt;do Nordeste&lt;br /&gt;nossa senhora do rosário&lt;br /&gt;dos homens mestiços&lt;br /&gt;do Brasil&lt;br /&gt;nossa senhora do rosário&lt;br /&gt;dos homens puros&lt;br /&gt;da África&lt;br /&gt;nossa senhora do rosário&lt;br /&gt;dos homens misturados&lt;br /&gt;do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexo de classes&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;putas gloriosas&lt;br /&gt;ostentam&lt;br /&gt;riqueza&lt;br /&gt;com seus&lt;br /&gt;peitos&lt;br /&gt;siliconados&lt;br /&gt;e oferecem&lt;br /&gt;sexo de luxo&lt;br /&gt;aos ricos falidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto&lt;br /&gt;putas piedosas&lt;br /&gt;praticam&lt;br /&gt;filantropia&lt;br /&gt;e oferecem&lt;br /&gt;sexo barato&lt;br /&gt;aos pobres&lt;br /&gt;assalariados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ricos pobres&lt;br /&gt;não podem&lt;br /&gt;pagar&lt;br /&gt;e ficam sem&lt;br /&gt;sexo&lt;br /&gt;de luxo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os&lt;br /&gt;pobres ricos&lt;br /&gt;com o salário&lt;br /&gt;do mês&lt;br /&gt;casam com&lt;br /&gt;uma puta&lt;br /&gt;de sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sob neblina&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;névoa horizontal&lt;br /&gt;algodão armado&lt;br /&gt;sobre a cidade&lt;br /&gt;massa fria&lt;br /&gt;urbana&lt;br /&gt;dias secos&lt;br /&gt;vento gelado&lt;br /&gt;fogo do inverno&lt;br /&gt;inferno&lt;br /&gt;lambendo matas&lt;br /&gt;congelando&lt;br /&gt;mendigos&lt;br /&gt;juntando corpos&lt;br /&gt;que memorizam&lt;br /&gt;calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Poemas novos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sombras&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;o real&lt;br /&gt;o virtual&lt;br /&gt;suas sombras&lt;br /&gt;se misturam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o criador&lt;br /&gt;a criatura&lt;br /&gt;suas sombras&lt;br /&gt;se misturam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o real&lt;br /&gt;o imaginário&lt;br /&gt;sem as sombras&lt;br /&gt;se costuram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Textos simples&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca despejei&lt;br /&gt;ossos&lt;br /&gt;em meus&lt;br /&gt;versos&lt;br /&gt;nunca citei&lt;br /&gt;épicos&lt;br /&gt;em meus&lt;br /&gt;textos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre busquei&lt;br /&gt;a linguagem&lt;br /&gt;clara&lt;br /&gt;como nos&lt;br /&gt;escritos de&lt;br /&gt;Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;embora nunca&lt;br /&gt;consegui&lt;br /&gt;te-la.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-114892352414059855?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/114892352414059855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=114892352414059855' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114892352414059855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28936468/posts/default/114892352414059855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/2006/05/onze.html' title='Onze'/><author><name>Geraldo Magela</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05510513502243905134</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28936468.post-114892206207054402</id><published>2006-05-29T09:56:00.000-07:00</published><updated>2006-05-29T10:01:02.083-07:00</updated><title type='text'>Homenagem</title><content type='html'>toda noite eu rezo&lt;br /&gt;pra são oswald&lt;br /&gt;continuar moderno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28936468-114892206207054402?l=brutalidadejardim.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brutalidadejardim.blogspot.com/feeds/114892206207054402/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28936468&amp;postID=114892206207054402' title='0 Comments'/><link 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